Para recriar auxílio emergencial, 'tem que travar todo o resto', diz Guedes

Paulo Guedes disse que despesas com educação e segurança pública teriam que ser travadas caso um novo auxílio emergencial fosse criado

Anna Russi, da CNN Brasil, em Brasília
26 de janeiro de 2021 às 11:24 | Atualizado 26 de janeiro de 2021 às 12:08


O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (26) que para recriar um programa de auxílio emergencial em 2021, todas as outras despesas do país, como educação e segurança pública, teriam que ser travadas.

"Não pode ficar gritando guerra toda hora. Temos que ter muito cuidado. Quer criar o auxílio emergencial de novo? Tem que ter muito cuidado", comentou durante evento com investidores estrangeiros promovido pelo Credit Suisse. 

 

Paulo Guedes, ministro da Economia
Paulo Guedes, ministro da Economia
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

"Pensa bastante porque se fizer isso, não pode ter aumento automático de verbas para educação, para segurança pública, porque é uma guerra. Se apertar o botão ali, vai ter que travar o resto todo", completou. 

Guedes defendeu que a economia e saúde pública devem ser observadas e lembrou que ambas andam juntas. Ele acredita que a vacinação em massa, focada especialmente nos idosos, seja a solução para o recuo da crise e o retorno da atividade econômica.  

"Vamos focalizar isso justamente nos idosos. [...] 80% dos óbitos no Brasil são de pessoas com mais de 60 anos. Temos 15% da população, talvez um pouco menos, de idosos. Então, se focalizarmos, nos próximos dois meses na vacinação em massa nesse seguimento específico, pronto, a coisa desce e está controlado. O Brasil segue a vida normal", disse. 

Ele ainda lembrou que, caso a vacinação não avance ou as mortes continuem acima de mil por dia, o protocolo para lidar com a crise já existe: a cláusula de calamidade pública na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Pacto Federativo. "É um caso agudo de emergência fiscal", observou.