Confiança do comércio cai 0,9 ponto em janeiro ante dezembro para 90,8 pontos

Segundo a FGV, a queda da confiança dos comerciantes "segue sendo influenciada pela redução no ritmo de vendas atual, resultado da cautela dos consumidores"

Vinicius Neder, do Estadão Conteúdo
27 de janeiro de 2021 às 09:09
Comércio do Rio
Comércio do Rio
Foto: Cleber Rodrigues/CNN

 

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 0,9 ponto na passagem de dezembro de 2020 para janeiro, para 90,8 pontos, a quarta queda consecutiva, informou nesta quarta-feira (27) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em médias móveis trimestrais, o indicador recuou 1,7 ponto, na terceira queda seguida.

Segundo a FGV, a queda da confiança dos comerciantes "segue sendo influenciada pela redução no ritmo de vendas atual, resultado da cautela dos consumidores". "Apesar do avanço das expectativas em relação aos próximos meses, a melhora ainda não reflete otimismo, apenas uma redução do pessimismo. Diante desse cenário, ainda não é possível vislumbrar uma retomada consistente do setor nos próximos meses, que depende da recuperação do mercado de trabalho e da confiança do consumidor", diz a nota da entidade.

 

Em janeiro, a confiança caiu em três dos seis principais segmentos do comércio e foi puxada pela piora da percepção sobre a situação atual. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 3,6 pontos, para 90,0 pontos, menor nível desde junho de 2020 (86,1 pontos), segundo a FGV. Na contramão, o Índice de Expectativas (IE-COM) subiu 2,0 pontos para 92,1 pontos, após uma queda de 2,6 pontos no mês anterior.

Conforme a nota da FGV, o movimento de queda no Icom nos últimos meses vem sendo puxado pelo ISA-COM. "Analisando as empresas em dois grupos, o de revendedores de bens essenciais e os de demais bens, é possível observar comportamentos diferentes ao longo da pandemia. O primeiro quase não sofre o impacto inicial justamente por revender itens de necessidades básicas, enquanto o segundo sofreu forte impacto e depois se recuperou. Nos últimos meses, ambos vêm percebendo piora do ritmo de vendas, sendo mais acentuada nos revendedores dos demais bens", diz a nota.

O fim do auxílio emergencial pago pelo governo e a lenta recuperação do mercado de trabalho são citados pela FGV como responsáveis pela moderação nas vendas. A coleta de dados para a edição de janeiro da Sondagem do Comércio foi realizada entre os dias 4 e 25 do mês, com informações de 803 empresas.