FMI diz que baixo crescimento na América Latina preocupa mais do que dívida

Crescimento econômico de 4% para a América Latina em 2021 fica atrás da previsão de crescimento global de 5,5%, diz Georgieva

Por Andrea Shalal, da Reuters
05 de fevereiro de 2021 às 19:03
Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva
Kristalina Georgieva prevê que recuperação da economia global acontecerá em 2021
Foto: REUTERS/Remo Casilli

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está trabalhando de forma construtiva com a Argentina na estruturação de um futuro programa de empréstimos, com um objetivo amplo de equilibrar a estabilidade financeira e o apoio aos mais vulneráveis, afirmou a diretora-gerente, Kristalina Georgieva, nesta sexta-feira (5).

Questionada sobre as preocupações do FMI com os níveis de endividamento na América Latina como um todo, Georgieva disse que o nível geral da dívida atingiu 79% do Produto Interno Bruto, um aumento de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior, mas o FMI exortou os países latino-americanos a se concentrarem mais na expansão do condições de crescimento agora, em vez de reduzir seus níveis de dívida.

Ela elogiou os países latino-americanos por tomarem medidas políticas decisivas no início da pandemia para mitigar as consequências econômicas e disse que o crescimento projetado na região ajudaria os países a pagar suas dívidas.

Mas Georgieva destacou que a previsão de crescimento econômico de 4% para a América Latina em 2021 fica atrás da previsão de crescimento global de 5,5%.

 

"Estamos mais preocupados em ficar para trás em termos relativos do que estamos hoje preocupados com os níveis de dívida", disse ela. "O que estamos pedindo na América Latina é, por favor, concentrem-se nas reformas que trariam mais vitalidade ao crescimento."

Ainda sobre a Argentina, Georgieva disse a repórteres que recentemente teve um telefonema "muito construtivo" com o presidente Alberto Fernández para enfatizar a importância de se chegar a uma visão comum do futuro programa, mas disse que é prematuro revelar detalhes.

"O trabalho técnico está em andamento", disse Georgieva a repórteres. "Em termos gerais, o que pretendemos (é) ter uma visão comum sobre um bom equilíbrio entre estabilidade, levar apoio às pessoas mais vulneráveis de forma focalizada e criar condições para um crescimento mais forte liderado pelo setor privado na Argentina."