Dólar fecha longe da mínima e Ibovespa cai após fala de Pacheco sobre auxílio

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse que que não se pode vincular um novo auxílio emergencial a PECs que poderiam compensar aumento de gastos

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
08 de fevereiro de 2021 às 09:16 | Atualizado 08 de fevereiro de 2021 às 18:21
Bolsa de Valores, Ações, Investimentos
Foto: Vecteezy

O dólar zerou boa parte da queda de mais cedo e fechou apenas em leve baixa nesta segunda-feira, com investidores colocando no preço da moeda prêmio de fiscal derivado de incertezas sobre a aprovação de medidas compensatórias a uma eventual reedição do auxílio emergencial.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,23%, a R$ 5,3723 na venda, longe da mínima de R$ 5,3058 (-1,47%) atingida perto das 14h. Na máxima, alcançada ainda na primeira meia hora de pregão, a moeda subiu 0,69%.

Na B3, o Ibovespa teve uma sesão de perdas após fala do presidente do Senado, Rodrico Pacheco (DEM-MG). O índice caiu 0,45%, aos 119.696 pontos.

Rodrigo Pacheco disse que que não se pode vincular um novo auxílio emergencial a PECs que poderiam compensar aumento de gastos. "A leitura é de que o risco fiscal pode ser aumentado, uma vez que não haja o compromisso de haver corte de gastos como contrapartida a benefícios sociais, como o auxílio emergencial", explica Paloma Brum, economista da Toro Investimentos

Os papéis da Petrobras (PETR3, PETR4) tiveram a maior perda do pregão, caindo cerca de 4% após a companhia anunciar mudanças em sua divulgação de preços. PetroRio (PRIO3) avançou 3,3%.

A segunda-feira ainda tem duas estreias na bolsa. Os papéis da Jalles Machado e Focus Energia fecharam o dia em sentidos opostos. Enquanto a primeira sobiu 10%, as ações da empresa de energia caem 13,3%. 

A Mobly (MBLY3), que estreou na sexta-feira com ganho de 25%, viu suas ações negociadas com queda de 4,8% no pregão de hoje. Os papéis da Mosaico (MOSI3), que chegou à bolsa junto com a Mobly, subiram 8,4% depois de uma estreia com valorização de 96%. 

No mercado externo, o clima é de otimismo já que os Estados Unidos avançam para liberar uma nova nova rodada de estímulos para a economia. A medida foi uma das promessas de campanha do presidente Joe Biden.

Lá fora

As bolsas de valores de Nova York fecharam em máximas recordes nesta segunda-feira, com perspectivas de estímulo e vacinação em curso aumentando o otimismo de investidores sobre o ritmo de recuperação econômica depois da recessão causada pela pandemia.

O Dow Jones subiu 0,76%, para 31.385 pontos. O S&P 500 ganhou 0,74%, para 3.915 pontos. E o Nasdaq Composite avançou 0,95%, para 13.987 pontos.

Os mercados acionários europeus fecharam em alta nesta segunda-feira, liderados por setores cíclicos (sensíveis a ciclos econômicos), uma vez que o apetite por risco aumentou em razão da esperança de uma recuperação mais rápida e em meio a acordos corporativos multibilionários.

O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,3%, após acumular valorização de 3,5% na semana passada, em linha com o sentimento otimista nos mercados globais. Wall Street e um índice de ações mundiais bateram máximas de todos os tempos com esperanças de estímulo.

As ações da Dialog Semiconductor saltaram 16%, para seu maior valor em mais de duas décadas, e ficaram no topo do STOXX 600, depois que a fabricante de chips japonesa Renesas Electronics Corp concordou em adquirir a designer de chips listada em Frankfurt por 4,9 bilhões de euros à vista.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira (8), em meio a expectativas de que os EUA aprovem um novo pacote fiscal e crescente otimismo sobre a recuperação da economia global. A exceção foi o mercado sul-coreano, que caiu após as montadoras Hyundai e Kia negarem estar em negociações com a Apple para desenvolver carros autônomos.

O índice acionário japonês Nikkei saltou 2,12% em Tóquio hoje, a 29.388,50 pontos, atingindo o maior nível desde agosto de 1990, enquanto o Hang Seng teve modesta alta de 0,11% em Hong Kong, a 29.319,47 pontos. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,03%, a 3.532,45 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,21%, a 2.360,78 pontos. Em Taiwan, o mercado local não operou devido a um feriado.

Já a Bolsa de Seul ficou no vermelho nesta segunda, após papéis da Hyundai e de sua afiliada Kia sofrerem tombos de 6,20% e 14,98%, respectivamente. Em comunicados, as montadoras disseram que "não estão em conversas sobre o desenvolvimento" de carros autônomos com a Apple, como chegou a ser divulgado na semana passada. O índice acionário Kospi caiu 0,94%, encerrando o pregão em Seul aos 3.091,24 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o tom majoritário na Ásia, e o S&P/ASX 200 avançou 0,59% em Sydney, a 6.880,70 pontos, alcançando o maior patamar em quase um ano. 

(*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters)