Copom discute elevar juros a partir de março, diz Campos Neto

"Os diretores também se tornam autônomos e terão mais liberdade para falar suas ideias", disse o presidente do BC sobre autonomia da autoridade monetária

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
11 de fevereiro de 2021 às 13:06
O presidente do Banco Central Campos Neto
Roberto Campos Neto em sua posse como presidente do Banco Central (28.fev.2019)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o Comitê de Política Monetária (Copom) já discute o início do movimento de alta da taxa básica de juros, a Selic, para março. 

Ele esclareceu, no entanto, que quando a ata da última reunião trouxe a informação de que alguns membros do Copom defenderam a alta da Selic, houve uma má interpretação do mercado já que os mesmos falavam de aumentar os juros a partir de março e não de janeiro. 

"Quando tentamos ser transparentes sobre alguns membros quererem começar a falar sobre a normalização dos juros, acho que teve uma má interpretação que isso seria em janeiro e não março", explicou em conversa virtual com a J.P. Morgan. 

 

Campos Neto ainda admitiu que o BC poderia ter sido mais claro ao repassar a informação e, assim, tenta aprimorar sua política de transparência, especialmente após a aprovação da autonomia da autoridade monetária. "Achamos que precisamos de mais transparência nesse novo ambiente com a autonomia do BC." 

Para ele, a autonomia traz maior liberdade na comunicação do BC e seus diretores com o mercado. "Os diretores também se tornam autônomos de certa maneira e terão mais liberdade para falar e expressar suas ideias", comentou.

O presidente do BC voltou a reforçar que a meta principal da autoridade monetária é a inflação. "O ponto importante saindo da reação do mercado é como isso vai contaminar as expectativas da inflação", disse. 

Ele também ressaltou a importância do equilíbrio fiscal em linha com a estratégia do BC. "Estamos comunicando, de todas as maneiras que podemos, que o fiscal é muito importante e usando um sinal de que temos disciplina fiscal e que a convergência fiscal vai melhorar e isso terá efeito nas nossas ações." 

Economia perde fôlego 

Campos Neto admitiu ainda que a atividade econômica está perdendo fôlego, com um "sinal claro de desaceleração na margem". 

"Teve uma surpresa no primeiro trimestre, que será seguido por um número que é um pouco menor do que esperávamos", observou. 

Na visão dele, os dados das próximas duas ou três semanas trará uma analise melhor sobre os efeitos dessa desaceleração. "Acho que tem uma incerteza (na economia e reação da mobilidade) mas ainda podemos dizer que temos essa desaceleração."

Já na inflação, de acordo com ele, o problema é detectar o efeito das transferências diretas e como isso se dará com o fim dos programas de auxílio de renda.

"Se olharmos para os mercados, vemos uma queda significativa nos últimos dias em compras, mas não em preços. [...] Com os dados das últimas semanas, vemos um efeito da remoção das transferências que é maior do que esperávamos. Mas precisamos de mais tempo para analisar", explicou.