Bolsonaro: nota fiscal confirma bitributação do combustível em posto de gasolina

Atualmente, o imposto é cobrado como um porcentual do valor do combustível no momento da venda no posto, sendo o valor na bomba maior que nas refinarias

Sofia Aguiar, do Estadão Conteúdo
12 de fevereiro de 2021 às 12:43
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro
Foto: Mateus Bonomi/Agif - Agência De Fotografia/Estadão Conteúdo

O presidente da República, Jair Bolsonaro, pediu aos seus seguidores, por meio das redes sociais, a abastecerem seus automóveis e postarem a nota fiscal para análise da tributação. Sugerindo o valor de R$ 100 reais "para facilitar os cálculos", o mandatário diz que a nota confirma indícios de "bitributação". Segundo ele, "ainda jogam a população contra o @GovBR como se fosse o único a arrecadar".

No conflito em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis que permeou a agenda nacional na última semana, o presidente publicou uma nota fiscal que, de acordo com ele, sugere "bitributação", à medida em que o ICMS é cobrado em cima de um valor médio nos postos e naquele montante já estão embutidos impostos federais. Para o presidente, a nota fiscal também confirma "a desinformação sobre o ICMS, que não é ZERO".

Na sexta-feira (5), Bolsonaro afirmou que irá enviar um projeto de lei para estabelecer um valor fixo de ICMS sobre combustíveis para dar mais previsibilidade aos motoristas. Na live semanal de Bolsonaro transmitida na quinta-feira (11), ele afirmou que a proposta será apresentada nesta sexta-feira (12). 

Atualmente, o imposto é cobrado como um porcentual do valor do combustível no momento da venda no posto, sendo o valor na bomba maior que nas refinarias. Dessa forma, os Estados conseguem uma arrecadação maior sempre que o valor do combustível sobe. Se passar para o valor fixo, os governos estaduais só terão aumento na arrecadação quando houver aumento do consumo. A proposta, assim, enfrenta resistência dos governadores, que perderiam em arrecadação.

Nesta semana, o chefe do Executivo citou a possibilidade de "convidar governadores" para debater o assunto e negou querer interferir no ICMS. "Não estou procurando encrenca, nem acusando os governadores de cobrar demais. Nós, governo federal, também cobramos demais. Agora, devemos buscar uma solução."