"Boa tarde, Venezuela", diz ex-presidente do BC após troca na Petrobras

O ex-secretário de Privatização e Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, chamou a decisão do governo de "lastimável" 

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
19 de fevereiro de 2021 às 20:17
Fachada Petrobras Rio de Janeiro
Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro: Bolsonaro quer mudar comando da estatal
Foto: Sergio Moraes/ Reuters

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, se posicionou nas redes sociais logo após o anúncio do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais de que vai trocar o presidente da Petrobras. Bolsonaro quer o general Joaquim Silva e Luna no lugar de Roberto Castello Branco, CEO da empresa desde 2019.  

"Boa tarde, Venezuela", escreveu Franco, que foi chefe da autarquia entre 1997 e 1999, no Twitter.

Outras autoridades e especialistas também se posicionaram contra a decisão do presidente.

O ex-secretário de Privatização e Desestatização, Salim Mattar, chamou a decisão do governo de "lastimável". 

 "Roberto é um profissional extremamente qualificado que tirou a empresa literalmente do fundo do poço após o maior escândalo de corrupção do planeta. Em seu lugar será nomeado mais um militar", escreveu Mattar em seu perfil no Twitter. 

Para assumir o cargo de CEO, Luna precisará ter a aprovação do conselho de administração da companhia. Caso a indicação não seja aceita, o presidente da República pode destituir o conselho e montar outro. 

Para o economista-chefe da corretora Necton, André Perfeito, caso a mudança seja feita dessa maneira abrupta, Bolsonaro "deu um perigoso passo fora da agenda que o sustenta no poder abrindo espaço para especulações sobre suas convicções liberais de fato."

Procurada, a Petrobras ainda não se pronunciou. A companhia também não divulgou qualquer fato relevante ao mercado a respeito da postagem do presidente. 

Para Henrique Esteter, analista da corretora Guide, foi "uma inteferência maior do que se esperava". Antes, se imaginava uma mudança na política de preços, já que o presidente vinha se posicionando contra as altas. 

Por isso, Esteter acredita que a mudança pode tornar a Petrobras mais uma vez um braço do governo no controle de preços dos combustíveis, tirando o foco da lucratividade e crescimento.

"A empresa vinha caminhando muito bem nos últimos meses e Castello Branco estava fazendo um trabalho fantástico", diz ele.