Boeing começava a se recuperar da crise do 737 Max -aí veio um novo golpe

A Boeing passou anos tentando garantir aos clientes, aos reguladores e ao público que seus aviões são seguros. Esse trabalho pode ter ficado ainda mais difícil

Por Julia Horowitz, CNN Business
22 de fevereiro de 2021 às 16:57 | Atualizado 22 de fevereiro de 2021 às 17:01
 Boeing 777
Boeing 777
Foto: Core Lohse/gettyimages

(CNN) - A Boeing passou anos tentando garantir aos clientes, aos reguladores e ao público que seus aviões são seguros. Esse trabalho pode ter ficado ainda mais difícil.

O que está acontecendo: companhias aéreas dos Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão suspenderam dezenas de aeronaves Boeing 777 depois que um dos jatos sofreu uma falha no motor no sábado, lançando destroços sobre Denver.

A Boeing recomendou, no domingo, que as companhias aéreas parassem de voar com versões da aeronave equipadas com motores Pratt & Whitney 4000-112, enquanto as autoridades dos EUA investigavam o incidente em Denver. Dos aviões, 69 estavam em serviço e 59 estão parados, disse a fabricante de aviões.

A Boeing, uma gigante da indústria americana, já foi vista como uma aposta segura para investidores que acreditavam na força da economia americana.

Mas a fabricante de aviões tem lutado desde a suspensão de voos com seu avião 737 Max, em março de 2019, após dois acidentes que mataram 346 pessoas. A Administração Federal de Aviação dos EUA só suspendeu as restrições em novembro do ano passado.

Isso levou a Boeing, que também foi atingida por uma queda nas viagens aéreas após a pandemia, a uma perda recorde de quase US$ 12 bilhões em 2020.

O CEO Dave Calhoun alertou que os próximos meses ainda seriam difíceis. Em janeiro, a empresa disse que atrasaria a primeira entrega de seu mais novo jato, o 777X, para 2023. O avião de longo alcance foi projetado para ser usado principalmente em viagens internacionais.

A redução de equipe também deve continuar. A Boeing espera reduzir o quadro de funcionários para 130 mil até o final de 2021, ante 161 mil no início de 2020.

Antes do fim de semana passado, havia sinais de que a empresa estava finalmente encontrando seu equilíbrio. A Boeing entregou 26 jatos em janeiro, ajudando a diminuir o acúmulo de mais de 400 jatos 737 Max que foram construídos, mas não puderam ser entregues durante a suspensão de voos por 20 meses. A maior parte do dinheiro da empresa vem da venda de aviões no momento da entrega.

Mas a última crise, que chega em um momento em que a Boeing precisa desesperadamente reconquistar a confiança, pode diminuir esse ímpeto.

Visão do investidor: as ações da Boeing se recuperaram 129% em relação à baixa recente de março, superando a rival Airbus, mas permanecem 48% abaixo de onde estavam há dois anos. O preço das ações da empresa deixa claro que a Boeing ainda está se recuperando da saga do 737 Max e do coronavírus. Adicionar outro problema à mistura não ajudará.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).