Guedes diz que só sairá se alguém mostrar que ele fez 'algo muito errado'

Ministro disse que quer PEC Emergencial com gastos travados como contrapartida; as parcelas do auxílio emergencial serão de R$ 250

Do CNN Brasil Business*
02 de março de 2021 às 10:21 | Atualizado 02 de março de 2021 às 16:13

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que só sairia do governo "se alguém me mostrar que estou fazendo algo muito errado". "Tenho noção de compromisso enquanto puder ser útil e gozar da confiança do presidente. Se o presidente não confiar em meu trabalho, sou demissível em 30 segundos. Se eu estiver conseguindo ajudar o Brasil, fazendo as coisas que acredito, devo continuar. Ofensa não me tira daqui, nem o medo, o combate, o vento, a chuva", afirmou Guedes, em entrevista ao youtuber Thiago Nigro, do canal Primo Rico, que foi ao ar no início da manhã desta terça-feira (2).

A fala do ministro acontece após o anúncio da troca de comando da Petrobras, anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais. Roberto Castello Branco deve ser substituído pelo general Joaquim Luna e Silva.

Guedes disse ainda ter uma missão e se sentir responsável por esse desafio. "Consigo ter uma comunicação boa com o presidente de um lado e com a centro-direita de outro. O que me tira daqui é a perda da confiança do presidente e ir pro caminho errado. Se tiver que empurrar o Brasil para o caminho errado, prefiro sair. Isso não aconteceu, tenho recebido apoio do presidente e do Congresso para ir na direção certa", afirmou.

Ministro da Economia, Paulo Guedes, fala ao lado de Jair Bolsonaro durante colet
Ministro da Economia, Paulo Guedes, fala ao lado de Jair Bolsonaro durante coletiva à imprensa em Brasília
Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

 

O ministro disse ainda que tratam de "narrativas idiotas" quando afirmam que ele quer reduzir gastos com saúde e educação. O texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial originalmente acabava com pisos de gastos para as duas áreas. "Quem é o idiota que seria contra a saúde? Como posso ser contra educação se sou produto da educação? São narrativas idiotas, despreparadas, odientas."

O chefe da Economia de Bolsonaro disse ainda que nunca pensou que seria o ministro que mais aumentaria gastos públicos no Brasil. "O destino me tornou pessoa que gastou muito, mas gastei com consciência tranquila, porque sei que era compromisso com a saúde dos brasileiros e com a recuperação econômica", afirmou.

Mas isso não será para sempre. Por isso, ele pretende "enjaular a besta" dos gastos desenfreados com a PEC Emergencial. "Queremos dizer que é preciso ter responsabilidade fiscal", afirmou. A intenção da equipe econômica é, com a PEC, travar gastos em contrapartida a uma nova rodada do auxílio emergencial. O ministro disse ainda que a ameaça permanente do populismo é falar que "vai dar dinheiro para todo mundo".

"Vai para a hiperinflação. Você está em endividamento em bola de neve, filhos e netos nossos terão impostos muito altos no futuro para pagar essa falta de coragem de uma geração de enfrentar seus problemas", completou.

Guedes disse que o pagamento do auxílio emergencial sem contrapartidas fiscais seria "caótico" para o País. "Isso teria um efeito muito ruim para o Brasil. É o que aprendemos ano passado, não podemos repetir", afirmou.

O ministro disse que o auxílio emergencial agora será em parcelas de R$ 250 e que não foi pago ainda porque é necessária a aprovação da PEC Emergencial, que traz contrapartidas à despesa.

"Acho que o Congresso vai aprovar. Queremos ir para a estrada certa e tenho confiança que o Congresso vem junto", disse. "Tentar empurrar o custo para outras gerações, juros começam a subir, acaba o crescimento econômico, endividamento em bola de neve, confiança de investidores desaparece. É o caminho da miséria, da Venezuela, da Argentina", comparou.

Segundo o ministro, a segunda onda de casos do coronavírus "veio de repente" e o importante agora é a vacinação em massa da população.

Endividamento

No Podcast, Guedes disse que, se o endividamento brasileiro continuar crescendo, chegará uma hora que o País não conseguirá mais pagar. "O endividamento é em bola de neve, não sei se lá na frente vão conseguir pagar isso", afirmou.

O ministro afirmou ainda que é "perfeitamente compatível" enriquecer o país, reduzindo a desigualdade, mas que não adianta querer distribuir riqueza se o Brasil não crescer. "Vamos aperfeiçoar Bolsa Família e chamar de Renda Brasil ali na frente", disse.

Privatização

Guedes reconheceu que tem havido dificuldades em avançar com alguns projetos, destacadamente as privatizações, o que ele defendeu "pelo esgotamento do modelo antigo", afirmando que o "Estado empresário faliu, quebrou".

"As privatizações estão bastante atrasadas, a reforma tributária nossa também se atrasou. A abertura da economia a gente conseguiu ir bem, mas depois chegou a Covid e travou. Mas vamos abrir de novo", disse ele.

Petrobras

Guedes disse que o governo quer criar um fundo com ativos da Petrobras para pagar dividendos "principalmente a pessoas mais frágeis". Depois de o presidente Jair Bolsonaro questionar se o "Petróleo é nosso ou é de um pequeno grupo no Brasil?", Guedes defendeu o pagamento de dividendos para o "povo brasileiro".

"É o seguinte, ou paga dividendos para mais pobres, ou vende. Não pode Petrobras ficar dando prejuízo", afirmou. "Tem uma turma que começa com 'o petróleo é nosso', então pega os mais pobres e vamos dar um pedaço para eles. Temos ideia de fazer algo parecido um pouco à frente, criar um fundo e colocar ativos lá, principalmente para mais frágeis. Vamos fazer um programa de transferência na veia, pega os 20%, 30% mais pobres e dá a sua parte da Petrobras".

*Com Reuters e Estadão Conteúdo