PIB: Economia brasileira encolhe 4,1% em 2020, maior queda desde 1990

Apesar do avanço de 3,2% da economia brasileira no quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado de 2020 registrou um tombo de 4,1%

Natália Flach e Anna Russi, do CNN Brasil Business, em São Paulo
03 de março de 2021 às 09:02 | Atualizado 03 de março de 2021 às 10:01

Apesar do avanço de 3,2% da economia brasileira no quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado de 2020 registrou um tombo de 4,1%. O número foi divulgado nesta quarta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior retração desde 1990, quando o indicador recuou 4,35%, no governo do ex-presidente Fernando Collor.

É o terceiro pior resultado já registrado desde 1900, data a que remontam as estimativas mais antigas disponíveis para o país, feitas pela Fundação Getulio Vargas e o Ipea. Nos 120 anos de lá para cá, o Brasil passou por 17 anos de encolhimento. Só em 1981 e em 1990, ambos com retração de 4,3%, houve resultados parecidos com o que aconteceu no ano passado no Brasil.

A queda de 4,1% em 2020 interrompe o ciclo de três altas consecutivas, entre 2017 e 2019, após dois anos de retração.

De acordo com o IBGE, o PIB per capita, ou por habitante, recuou 4,8% em 2020, alcançando R$ 35.172. Em valores correntes, o PIB do ano passado totalizou R$ 7,4 trilhões.

"Nos chama atenção a melhora ainda discreta da Formação bruta do Capital Fixo sobre o PIB que atingiu 16%. Este número tem que melhorar ainda mais, mas a variação na margem do Investimento em 20% é um bom sinal", afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton.

Estimativas

O resultado veio um pouco pior que a expectativa do ministro da Economia, Paulo Guedes, que na última terça-feira (2) projetou que o PIB cairia pouco menos que 4%. 

Por outro lado, caiu bem menos que o esperado no início da crise causada pela pandemia. Entre abril e junho, meses de maior impacto da pandemia, as projeções de órgãos internacionais chegaram a ser de tombos de quase 10%.

A partir do segundo semestre, com sinais da recuperação da atividade, as previsões tanto de órgão internacionais, como do mercado financeiro e da equipe econômica, foram melhorando e se aproximando de quedas entre 4% e 5%. A estimativa oficial do ministério da Economia era de recuo de 4,5%. 

O que esperar

Embora as estimativas para 2021 sejam de alta de mais de 3% no PIB, recuperando parte da perda do ano passado, o aumento dos casos de Covid-19 e a vacinação lenta no começo do ano devem fazer com que o indicador ainda registre uma retração no primeiro trimestre, conforme estimativas do IBRE-GFV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

Resultado da soma de tudo o que o país produziu em determinado período, o PIB é um dos indicadores mais importantes do desempenho da economia de um país. Os dados são divulgados pelo IBGE trimestralmente. 

Enquanto pelo lado da oferta, são considerados resultados dos setores industrial, de serviços e agropecuário, o lado da demanda leva em conta o consumo das famílias, o consumo do governo, os investimentos e as exportações menos as importações.

21º resultado entre 50 países

Com isso, a economia brasileira ocupa a 21ª colocação em um ranking que mede o avanço ou o retrocesso do PIB em 50 países, elaborado pela Austin Rating.