Opine: está na hora de investir em renda fixa com a esperada alta de juros?

Veja as opiniões de Luiz Fernando Figueiredo, fundador da Mauá Capital, e Alexandre Schwartsman, que comanda a consultoria Schwartsman e Associados

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
16 de março de 2021 às 11:56
O Grande Debate - Investimentos
Foto: Arte/CNN

"O Grande Debate — Investimentos" abordou a alta de juros esperada para esta semana e as implicações desse movimento para o crédito e para os investimentos. Será que a renda fixa vai voltar a ser atrativa? É o fim do brilho da bolsa de valores?

Para discutir o tema, a CNN recebeu dois ex-diretores do Banco Central: Luiz Fernando Figueiredo, fundador da Mauá Capital e ex-diretor de Política Monetária do BC, e Alexandre Schwartsman, que comanda a consultoria Schwartsman e Associados e ex-diretor de Assuntos Internacionais da autoridade monetária.

Confira abaixo as opiniões dos especialistas e diga se você concorda ou discorda delas.

"É difícil a renda fixa voltar a brilhar. O retorno de investimentos de curto prazo não paga nem a inflação. O que eu prevejo de aperto monetário é relativamente modesto comparado ao que a gente viu no passado. Não acho que voltaremos aos patamares de antigamente, quando era uma moleza ficar ali no CDI. O CDI vai ficar um pouco melhor, é verdade, mas o investidor não vai escapar de ter que tomar um pouco mais de risco, se quiser ganhar um pouquinho mais."

Alexandre Schwartsman, da consultoria Schwartsman e Associados,

 

 

"O Brasil fica inventando turbulência, crise e dificuldade a cada cinco minutos, então, é difícil dizer que as coisas vão ser tranquilas daqui para frente. De qualquer forma, um investimento que não tem risco não tem rentabilidade — o que, aliás, acontece no mundo inteiro. O Brasil é que tinha uma enorme jabuticaba."

Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá Capital

 

 

"Sobre decisão de fazer IPO, a taxa de juros não é o único fator que as empresas levam em consideração. Estamos no pior momento da pandemia, com a vacinação atrasadíssima, existe uma incerteza política gigantesca, tem um Congresso que acabou de desfazer um bom pedaço da emenda constitucional [PEC Emergencial] que deveria contrabalançar o aumento de gastos neste ano. Logo, não saberia dizer o que vai acontecer com a bolsa."

Alexandre Schwartsman, da consultoria Schwartsman e Associados

 

"Não acho que subir os juros em 0,5, 1 ou até 1,5 ponto percentual vai mudar a trajetória da taxa de câmbio. A taxa de câmbio oscila 1,5% todos os dias. O problema do câmbio — assim como todos os outros ativos no Brasil — é fiscal. Mesmo que a PEC [Emergencial] tenha sido desidratada, houve uma redução do risco, pois os ativos já estavam embutindo prêmio de risco se a PEC ia passar ou não."

Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá Capital

 

 (Texto publicado por Natália Flach)