'Levou uma pandemia para aprendermos a controlar o orçamento', diz Guedes

Segundo ele, no ano passado não faltou dinheiro para Saúde, mas que foi preciso fazer desvinculações orçamentárias

Célia Froufe e Aline Bronzati, do Estadão Conteúdo
22 de março de 2021 às 09:23
Paulo Guedes, ministro da Economia
Paulo Guedes, ministro da Economia
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse neste domingo (21), que foi preciso chegar uma pandemia com impactos severos sobre a economia para que houvesse atenção com o destino dos recursos públicos. Durante live realizada pelo Parlatório, organização sem fins lucrativos, ele também comentou que a Covid-19 é uma "guerra biológica".

"Foi preciso chegar uma guerra no Brasil para aprendermos que a essência da política é alocar recursos", afirmou. No início da apresentação, Guedes rememorou os primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro e disse que a determinação da equipe econômica sempre foi controlar gastos. Lembrou que a reforma previdenciária foi aprovada no primeiro ano do mandato e que houve a execução do teto de crescimento dos gastos.

O ministro, afirmou, porém, que o piso continuou a subir, dificultando a manobra do orçamento. "Levou uma pandemia para aprendermos a controlar o orçamento", disse. Segundo ele, no ano passado não faltou dinheiro para Saúde, mas que foi preciso fazer desvinculações orçamentárias.

Para Guedes, é preciso conter despesas e evitar gastos em todas as direções. Ele disse que isso se torna mais fundamental em momentos de crises exógenas, quando os recursos precisam estar disponíveis. Como exemplos, citou catástrofes naturais, guerras armadas ou mesmo "guerra biológica como o coronavírus".

Guedes afirmou ainda que a política deu boa resposta à pandemia e o governo conseguiu fazer seu contra ataque. Ele disse que, inicialmente, apresentou auxílio emergencial no valor de R$ 200, acreditando que o Congresso aumentasse o valor para R$ 400. "Mas chegaram a R$ 600. Evidente que se fossem aqueles R$ 400, poderia durar muito mais tempo", afirmou.

Mesmo assim, Guedes disse que a equipe econômica o tempo todo manteve "o Norte, a bússola". Sobre as reformas futuras, disse que a política dá o timing das mudanças.

Vacinação é "o mais urgente possível"

Paulo Guedes também deu destaque para a importância da vacinação em massa no Brasil "o mais urgente possível". Ele pediu a participação total da iniciativa privada nesse momento, em que o país enfrenta a pior fase do choque pandêmico.

Guedes disse que a pandemia atropelou a estratégia da equipe econômica, que estava debruçada nos gastos públicos e em uma agenda de reformas. "Agora, temos de voltar às reformas, onde estávamos antes da pandemia", disse.

Segundo ele, "as coisas estavam começando a melhorar", com o Brasil voltando em 'V' do choque pandêmico, quando foi acometido pela segunda onda de maneira severa. O ministro afirmou, porém, que o País não vai "esmorecer".

Ao falar sobre o custo Brasil, Guedes afirmou que o governo não vai entregar a indústria brasileira no meio de uma crise - e citou a redução de custos logísticos com a queda da tarifa de importação. "Somos liberais, mas não somos trouxas", disse.

Mudança na ligaguem ambiental

Em outro momento da live, ele chamou atenção para a necessidade de o governo Bolsonaro mudar a linguagem ambiental, do contrário, sofrerá as consequências. "O futuro é verde", disse. 

"A conversa não está boa. Estão nos julgando equivocadamente e não estamos sabendo colocar [o debate ambiental] no ângulo correto", disse.

Ele afirmou que o governo Bolsonaro colheu frutos de um tom errado no debate ambiental. "Entramos com um tom que foi ruim para nós, isso se somou à própria divulgação de quem perdeu as eleições aqui dentro", afirmou.

"Não dá para vender a ideia que de militares estão entrando e queimando a floresta", disse. "O Brasil está doente não só fisicamente, mas de alma por paixões políticas, perdendo a razoabilidade".

Também participam do encontro virtual o ex-Secretário Nacional de Segurança Pública e ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, General Santos Cruz, o médico Raul Cutait, a jurista Ellen Gracie, os empresários Abilio Diniz, Luiza Trajano, Jorge Gerdau, Flavio Rocha, o ex-ministro da Fazenda e atual diretor do Banco Safra, Joaquim Levy, além do também ex-ministro Luiz Furlan.