Ibovespa fecha em alta e caminha para ganho mensal; dólar tem leve queda

A disseminação da Covid-19 no país e os repercussão da troca em seis ministérios do governo foram assunto no mercado financeiro

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
30 de março de 2021 às 09:18 | Atualizado 30 de março de 2021 às 17:28
Bolsa de Valores
Foto: Vecteezy

O dólar à vista caiu 0,16% nesta terça-feira (30), a R$ 5,7588 na venda, depois de variar entre R$ 5,804 (+0,62%) e R$ 5,7221 (-0,80%). 

Na B3, o Ibovespa encontrou espaço para subir, apesar do tumulto político no Brasil e quedas em Wall Street. O principal índice acionário do Brasil fechou o pregão desta terça em alta de 1,24%, para 116.849 pontos. 

Nesse ritmo, o Ibovespa fechará o mês no azul, com crescimento de cerca de 6% ante fevereiro. 

Destaque para as empresas ligadas ao setor aéreo. Embraer (EMBR3), Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) lideram os ganhos do Ibovespa com avanços entre 7% e 9,3%.

A sessão também marcou recuperação das construtoras, com Eztec (EZTC3), Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3) logo atrás das aéreas, ganhando entre 6,1% e 6,4%. 

As ações da Petrobras (PETR3, PETR4) estão entre as poucas na lista de perdas, acompanhando a queda no preço do petróleo após liberação da navegação no canal de Suez. 

Investidores seguiam monitorando o clima político em Brasília depois da troca de seis ministros pelo presidente Jair Bolsonaro na véspera, enquanto a disseminação da Covid-19 no país continuava a preocupar os mercados.

Com a expectativa de uma melhor comunicação entre o governo de Jair Bolsonaro e o Congresso, o mercado tem esperanças de que o rearranjo ministerial possa significar a "correção" do Orçamento para 2021, o que poderia aliviar os temores dos investidores em relação às contas públicas.

Já no exterior, os rendimentos dos Treasuries de dez anos subiram para máximas em 14 meses nesta terça-feira, um dia antes de o presidente norte-americano, Joe Biden, definir como pagará por um plano de infraestrutura de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões.

"(Os rendimentos) dos Treasuries continuam a pressionar conforme a economia norte-americana retorna à atividade e a vacinação no país avança", disse João Vitor Freitas, da Toro, que também citou a adoção de grandes estímulos fiscais nos Estados Unidos como fator de impulso para as taxas.

Lá fora

Os principais índices de Wall Street fecharam em baixa nesta terça-feira, com uma alta nos rendimentos dos Treasuries atingindo ações relacionadas à tecnologia, enquanto os setores de bancos e indústrias – que devem se beneficiar de uma reabertura econômica – subiam.

O Dow Jones caiu 0,31%, a 33.066 pontos. O S&P 500 recuou 0,32%, a 3.958 pontos, enquanto o Nasdaq Composite cedeu 0,11%, a 13.045 pontos.

As ações europeias fecharam perto de máximas recordes nesta terça-feira, na esperança de uma recuperação econômica impulsionada pelas vacinas, enquanto os investidores deixavam de lado as consequências do default de um hedge fund norte-americano que atingiu as ações de bancos no dia anterior.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,7%, a 1.659 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,71%, a 431 pontos, ficando menos de 1% abaixo de seu pico pré-pandemia.

As ações de bancos saltaram 2,7%, recuperando-se após uma queda de 1% na segunda-feira, acompanhando o aumento dos rendimentos dos títulos dos governos dos Estados Unidos e da Europa, em meio à esperança de um crescimento econômico mais forte e inflação mais alta à frente.

O credor suíço Credit Suisse caiu 3,1%, após despencar quase 14% na sessão anterior ao alertar sobre perdas "altamente significativas e materiais" depois que um fundo -- o Archegos Capital, segundo fontes -- não cumpriu as chamadas de margem.

O índice referencial STOXX 600 está prestes a encerrar o primeiro trimestre com um ganho de quase 8% - seu quarto salto trimestral consecutivo - à medida que o otimismo em torno do crescimento global ofusca as lentas iniciativas de vacinação na zona do euro e novos lockdowns relacionados ao coronavírus.

As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta terça-feira (30), com investidores mantendo foco na perspectiva de recuperação da economia global e apesar de preocupações com dificuldades enfrentadas por um fundo de investimento dos EUA que atingiram grandes conglomerados bancários.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,16% em Tóquio hoje, a 29.432,70 pontos, enquanto o Hang Seng avançou 0,84% em Hong Kong, a 28.577,50 pontos, o sul-coreano Kospi se valorizou 1,12% em Seul, a 3.070,00 pontos, e o Taiex registrou ganho de 0,48% em Taiwan, a 16.554,90 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve alta de 0,62%, a 3.456,68 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,47%, a 2.229,27 pontos.

O apetite por risco na Ásia continua sustentado por expectativas de retomada da economia mundial, liderada pelos EUA, que estão implementando medidas de incentivo fiscal de US$ 1,9 trilhão e onde a vacinação contra a Covid-19 ocorre em ritmo mais rápido do que em outras partes.

Como resultado, ficaram em segundo plano alertas feitos pela Nomura Holdings e Credit Suisse de que poderão sofrer perdas significativas como resultado de transações com um fundo de investimento americano, possivelmente o Archegos Capital Management. No mercado japonês, a ação da Nomura caiu 0,66% nesta terça, após sofrer tombo de 16,33% no pregão anterior.

Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o tom positivo da Ásia e ficou no vermelho, revertendo ganhos de mais cedo. O S&P/ASX 200 caiu 0,90% em Sydney, a 6.738,40 pontos.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo