Brasil deve bater recorde de parcerias público-privadas em 2021, diz consultoria

No ano passado, foram publicadas 340 licitações, melhor resultado da série história iniciada em 2015 pela Radar PPP

Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo
31 de março de 2021 às 05:00 | Atualizado 31 de março de 2021 às 13:52
Aeroporto de Congonhas
Aeroporto de Congonhas: expectativa é que entre na sétima rodada de concessões
Foto: Reprodução/ Agência Brasil

 

O Brasil deve bater recorde de parcerias público-privadas (PPP) em 2021. A projeção é da consultoria Radar PPP com base no número de projetos previstos para este ano, em especial, de infraestruturas sociais. Só no ano passado, foram publicadas 340 licitações, sendo 17 da União, 46 dos estados e Distrito Federal e 277 de municípios. Trata-se do melhor resultado desde que a consultoria foi fundada, em 2015. 

“Para 2021, esperamos o maior número de projetos e de licitações na história de PPPs e concessões de presídios, escolas, unidades de saúde e parques”, afirma Guilherme Naves, sócio da Radar PPP.

 

Isso significa que os investidores estão interessados em investir em infraestrutura no Brasil? Naves diz que sim. “O juro baixo impulsiona a diversificação de investimentos, incluindo infraestrutura pública. Além disso, as empresas têm estimulado os governos a assumir compromissos contratuais em que o investidor toma um pouco mais de risco, mas recebe em troca mais segurança e estabilidade em um fluxo de receitas no longo prazo.”

Segundo Naves, um dos destaques deste ano deve ser a concessão de aeroportos. A expectativa é que em abril seja realizada a sexta rodada de concessões – que inclui Curitiba, Foz do Iguaçu, Goiânia, Teresina, Manaus e outros 18 aeroportos. Já os projetos da sétima rodada – Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) – estão em fase de modelagem. É possível ainda que seja refeita a licitação em Viracopos (SP). 

Além disso, o especialista cita as diversas licitações de terminais portuários e da Ferrovia de Integração do Oeste-Leste (Fiol), na Bahia, que deve mobilizar mais de R$ 3 bilhões de investimento privado. 

Já entre os projetos de rodovias, há a expectativa da nova concessão da BR-116/101/SP/RJ, além de trechos que fazem parte da rodovia Presidente Dutra (R$ 15 bilhões de investimento privado estimados) e do gigantesco projeto das Rodovias Integradas do Paraná (seis lotes que devem gerar mais de R$ 42 bilhões em investimento privado). 

“Na área de mobilidade, é possível que saia o VLT da W3 (R$ 2 bilhões de investimento) em Brasília e há, ainda, a possibilidade do TIC (trem intercidades) no estado de São Paulo (mais de R$ 18 bilhões de investimento), que está sendo estruturado em parceria com o Banco Interamericano”, afirma Naves.

Outro ponto que merece destaque é saneamento, que deve deslanchar com o novo marco regulatório, e terá concessões importantes como a da Cedae, que deve ter mais de R$ 30 bilhões em investimento privado estimados. 

Iluminação pública também deve atrair inúmeros investidores. Foi o que aconteceu em Petrolina (Pernambuco): o município assinou na terça-feira (30) um contrato com a concessionária Engie para modernizar, expandir e manter o sistema de iluminação da cidade de 350 mil habitantes. A expectativa é que sejam investidos R$ 90 milhões em 20 anos.

“Essa PPP modelada pelo BNDES estabelece diversos indicadores e metas operacionais que deverão ser atingidos pela concessionária e que terão impacto em sua remuneração”, explica o superintendente da Área de Estruturação de Parcerias de Investimentos do BNDES, Cleverson Aroeira, em nota. “Isso permite que o valor efetivamente pago pelo município esteja de acordo com o desempenho real apresentado pela empresa, o que a estimula a investir em bons equipamentos, equipes e processos qualificados para que a população de Petrolina possa usufruir de um serviço público de qualidade”.