Equatorial Energia leva CEEE-D em leilão com única oferta

A Equatorial ofereceu R$ 100 mil pelos 65,9% do capital social da CEEE-D colocados à venda no certame desta quarta-feira (31)

Luciano Costa, da Reuters
31 de março de 2021 às 13:38
Das 16 cidades do Amapá, apenas Oiapoque, Laranjal do Jari e Vitória do Jari con
Das 16 cidades do Amapá, apenas Oiapoque, Laranjal do Jari e Vitória do Jari contam com o fornecimento de energia regular
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A Equatorial Energia venceu nesta quarta-feira  (31) o leilão de privatização da distribuidora de eletricidade CEEE-D, controlada pelo governo do Rio Grande do Sul, ao apresentar a única oferta pela companhia em pregão na bolsa B3.

O resultado surpreendeu, uma vez que analistas até esperavam participação da Equatorial, mas viam a CPFL Energia como a grande favorita e projetavam alguma disputa na licitação, como ocorreu em dezembro na venda da CEB-D, de Brasília, que atraiu três empresas e teve rodadas de lances em viva-voz.

A Equatorial ofereceu R$ 100 mil pelos 65,9% do capital social da CEEE-D colocados à venda no certame desta quarta-feira (31), o dobro dos 50 mil estabelecidos como preço mínimo para uma empresa com dívida tributária junto ao Estado superior a R$ 3 bilhões.

A companhia, que tem gestoras como Squadra, Opportunity, BlackRock e Verde como acionistas, além da canadense CPPIB, de fundos de pensão, controla distribuidoras de energia no Maranhão, Pará, Alagoas e Piauí e agora estreará na região Sul.

O diretor de Regulação e Novos Negócios da Equatorial, Tinn Amado, disse a jornalistas após a licitação que a nova aquisição proporcionará "diversificação do risco" para o grupo.

"A gente atua em regiões do Norte, Nordeste, e a região Sul tem uma percepção de risco diferente, a parte de arrecadação é muito mais simples que a gente verifica em nossas concessões."

Em sua história, a Equatorial se especializou em comprar elétricas cheias de dificuldades técnicas e financeiras por preços simbólicos, para depois investir em sua recuperação.

A distribuidora da empresa no Pará foi comprada por R$ 1 do Grupo Rede em 2012, enquanto unidades no Piauí e Alagoas foram adquiridas da Eletrobras por R$ 50 mil cada em 2018.

Questionado, o diretor de Regulação da Equatorial disse que a situação atual da CEEE-D deve exigir algum aporte de recursos.

"Sim, a gente avalia, principalmente para reestruturar a dívida, só que isso vai depender de nossa entrada na concessão para a gente estabelecer qual o melhor momento para isso", disse ele, sem comentar valores.

As ações da Equatorial subiam mais de 7% após o leilão, às 11:30 (horário de Brasília), enquanto o Ibovespa caía 0,03%.

Sem disputa

A CPFL, que já tinha dito em diversas ocasiões ter interesse na elétrica gaúcha e foi apontada por analistas como principal competidora, acabou nem sequer se habilitando para o certame.

"A CPFL Energia, após avaliação do ativo CEEE-D, optou por não participar do leilão por entender que não houve equilíbrio entre risco e retorno, respeitando a disciplina financeira", disse a empresa em nota à Reuters.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, comemorou os resultados e disse entender que a presença de apenas uma empresa no leilão deve-se a "uma série de fatores", incluindo a concorrência por investidores com a privatização da CEB-D, realizada pelo governo do Distrito Federal em 2020.

Leite ainda rebateu críticas ao preço de R$ 50 mil definido no leilão, destacando os passivos elevados da empresa.

"Isso precisa estar claro, porque alguém apressadamente poderia dizer que uma companhia está sendo vendida por R$ 100 mil. Mas na verdade o que está sendo levado por 100 mil, além da obrigatoriedade de investimentos, é um conjunto de obrigações", afirmou.

ICMS

O principal fator por trás do baixo preço da CEEE-D foi o patrimônio líquido negativo da companhia, que chegava a R$ 4,8 bilhões em meados de 2020, devido a R$ 3,38 bilhões em dívidas por ICMS como a administração estadual.

O presidente da CEEE-D, Marco Soligo, disse que cerca de R$ 1,7 bilhão dos débitos em ICMS ficarão com a CEEE-D após a desestatização e deverão ser quitados pela Equatorial.

Após a transferência do controle, a expectativa é que a elétrica passe a pagar integralmente o ICMS, de R$ 1,3 bilhão por ano. Hoje, a CEEE-D vinha conseguindo recolher apenas 30% do tributo, segundo Soligo.

Detalhes

A Equatorial disse em comunicado que, pelos termos do edital, deverá ter, até a data de conclusão da aquisição, direito de subscrever ações equivalentes a cerca de 94,9% do capital social da CEEE-D.

Além disso, a companhia deverá realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações restantes da CEEE-D.

Segundo o diretor de Regulação do grupo, isso deve ocorrer em 30 dias e a operação pode envolver a compra de papéis da empresa detidos por acionistas minoritários incluindo a estatal Eletrobras. A OPA terá preço equivalente a no mínimo 80% do preço de venda das ações no leilão.