Ciberataques são principal ameaça ao sistema financeiro, diz chefe do BC dos EUA

Jerome Powell ressaltou que ataques cibernéticos são a principal preocupação do governo e falou sobre a possibilidade do país criar um dólar digital

Brian Fung, do CNN Business, em Washington
12 de abril de 2021 às 18:01 | Atualizado 12 de abril de 2021 às 18:03
Chair do Federal Reserve, Jerome Powell
Foto: Susan Walsh/Pool via REUTERS/File Photo/File Photo

 

Os ataques cibernéticos são o principal risco para o sistema financeiro global, mais que os empréstimos e a liquidez que levaram à crise financeira de 2008, segundo Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos). 

Esta afirmação foi dada ao jornalístico "60 minutos", da rede de TV americana CBS, neste último domingo (11), e revela como o governo federal dos EUA está preocupado com a ação de hackers.

 

"Eu diria que o risco que mais mantemos nossos olhos agora é o cibernético. Isso é algo que muitas agências governamentais, incluindo o Fed, as grandes empresas privadas e principalmente as empresas financeiras monitoram com muito cuidado, além dos investimentos massivos. E é aí que está o risco agora, em vez de algo como uma crise financeira global", disse.

Para ele, um cenário de pesadelo seria se os hackers conseguissem desligar um grande processador de pagamentos, prejudicando o fluxo de dinheiro entre bancos. “Isso poderia fechar setores ou até mesmo as grandes áreas do sistema financeiro”, disse ele.

Ele também aproveitou para destacar que os governos e as empresas privadas estão gastando muito tempo, energia e dinheiro para se proteger deste tipo de ameaça. “Hoje, há ataques cibernéticos a todas as grandes instituições, e o governo está trabalhando duro contra isso, assim como o setor privado. Há muito esforço para lidar com essas questões. Isso representa uma grande parte das possíveis ameaças atuais”.

Dólares digitais?

Powell também foi questionado sobre o potencial lançamento de uma moeda digital americana como parte dos esforços para conter os movimentos da China que planeja desenvolver uma versão virtual do yuan e tirar a hegemonia do dólar. 

Ele hesitou de dar mais detalhes, mas disse que as autoridades estão pensando no assunto e que há estudos em andamento pelo país. No entanto, acrescentou que nenhuma decisão foi tomada porque ainda não está claro como os dólares digitais ajudariam os americanos.

“A questão fundamental para nós é: se adicionarmos essa nova moeda digital ao dinheiro confiável que devemos fornecer ao público, isso vai ajudar a população? O público ficará melhor? E vai haver algum aspecto negativo também?”, indagou.

“Isso vai provocar efeitos inesperados em outras partes do sistema financeiro que precisamos considerar ao pesar custo-benefício. Somos a moeda de reserva mundial, o dólar é muito importante, então precisamos acertar. Não precisamos ser os primeiros a fazer isso. Queremos fazer o certo. E é isso que vamos fazer", concluiu.

Economia apresenta sinais positivos

Powell aproveitou o momento para dar uma perspectiva mais otimista sobre a recuperação econômica. "O que estamos vendo é uma economia que parece estar em um ponto de inflexão. E isso é por causa da vacinação generalizada e do forte apoio fiscal e à política monetária. Sentimos que estamos em um lugar em que a economia está prestes a começar a crescer mais rapidamente", comentou.

Apesar de otimista, a previsão foi bastante cautelosa, principalmente no que se refere a uma nova onda de transmissões de Covid-19 no país. “O principal risco para a nossa economia, agora, é que a doença comece a se espalhar novamente. Será inteligente se as pessoas continuarem a se distanciar socialmente e usar máscaras”, disse.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original)