Cedae: Leilão é fundamental para população ter serviços efetivos, diz economista

Segundo Cláudio Frischtak, fundador da Inter B., demoraria 140 anos para a atual Cedae universalizar os serviços de água e esgoto para toda a população do Rio

Produzido por Layane Serrano, da CNN São Paulo
30 de abril de 2021 às 09:30

 

Depois de idas e vindas sobre o leilão de concessão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), o certame está marcado para esta sexta-feira (30) na sede da bolsa de valores em São Paulo. A expectativa é que o pregão garanta cerca de R$ 30 bilhões em investimentos nos serviços de água e esgoto, sendo que quase metade desse valor deve ser investido nos cinco primeiros anos de contrato.

Para o economista e fundador da Inter.B Consultoria, Claudio Frischtak, o leilão é fundamental para que a população fluminense possa ter serviços efetivos. "Do ponto de vista do bem-estar das famílias que vivem no Rio de Janeiro, é o leilão mais importante que nós tivemos”, disse em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (30).

“A razão é simples. O novo marco de saneamento que foi sancionado exige a universalizaço dos serviços de água e esgoto até 2033. A atual Cedae não tem condição de fazer isso. Uma conta muito rápida mostra que demoraria 140 anos para a atual Cedae universalizar os serviços, sem falar em termos de qualidade, simplesmente em termos de quantidade”, esclareceu.

Questionado se após o leilão os preços podem aumentar para os moradores, o economista disse que, se a concessão tivesse acontecido há três anos, as tarifas atuais seriam 14% menores. 

“Isso porque uma das exigências do leilão é que em termos reais as tarifas fiquem estabilizadas. E mais: atualmente a tarifa social cobre apenas 0,5% dos domicílios. O leilão vai exigir que essa tarifa social chegue a 5% dos domicílios. Então, do ponto de vista não apenas da cobertura, mas do ponto de vista também de tarifas, de quanto o consumidor vai desembolsar, vai haver uma diferença muito grande.”

Ao todo, o leilão será dividido em quatro blocos. Neles, estão divididas as cidades do estado do Rio de Janeiro e também os bairros da capital fluminense que são atendidos pela companhia.

Treze milhões de pessoas terão acesso a esgoto e água potável. A Cedae espera que essa concessão gere 46 mil vagas de trabalho, de forma direta e indireta.

É bom lembrar que, recentemente, a população fluminense enfrentou uma das piores crises hídricas do estado, com problemas na qualidade da água.