Conheça a chia, criptomoeda que alega ser mais ecológica que o bitcoin

Criadores da chia afirmam que ela tem uma pegada de carbono muito menor com seu processo de mineração de verificação e registro de transações

Por Alexis Benveniste, CNN Business
07 de maio de 2021 às 05:00
Bitcoin
Foto: Dmitry Demidko/Unsplash

Nova York (CNN Business) – O bitcoin pode ser o rei das criptomoedas, mas está enfrentando uma crítica de fundo ambiental sobre sua tecnologia, que faz uso intensivo de energia.

Uma nova criptomoeda chamada chia alega ser a alternativa ecológica a ele.

Como a maioria das moedas digitais, a chia é executada em um sistema de contabilidade descentralizado conhecido como blockchain. Mas, ao contrário do bitcoin, os criadores da chia afirmam que ela tem uma pegada de carbono muito menor com seu processo de mineração de verificação e registro de transações.

A chia registrou suas primeiras negociações esta semana, juntando-se a uma cena de criptografia lotada em um momento de interesse frenético dos investidores em ativos digitais alternativos.

O que é a chia?

A Chia Network criou a moeda em 2017 com foco nas implicações ambientais da “mineração” da moeda digital, ou seja, o processo de computação altamente especializado e com uso intensivo de energia que cria novas moedas por meio da resolução de equações complexas.

A principal diferença entre a chia e outras criptomoedas, de acordo com seus fundadores, é seu método de “provas de espaço e tempo” de verificação de transações que utiliza espaço em disco não utilizado nos discos rígidos dos usuários e é mais eficiente em termos de energia do que a “prova de trabalho” do modelo do bitcoin.

A Chia Network foi fundada por Bram Cohen, que também inventou o sistema de compartilhamento de arquivos ponto a ponto BitTorrent, e já ganhou o apoio de investidores proeminentes como Andreessen Horowitz e Naval Ravikant.

Como funciona o processo?

Cada criptomoeda tem seu próprio método de verificação de transações, normalmente usando o poder coletivo dos computadores dos mineradores, que são pagos por sua ajuda em criptomoedas. O processo de mineração da chia, que a Chia Network chama de “cultivo”, depende do uso de espaço vazio de armazenamento do computador.

O processo de “prova de espaço e tempo” da Chia permite que os participantes da rede mostrem que estiveram armazenando dados fisicamente por um determinado período, de acordo com a Coin Market Cap, uma biblioteca de conteúdo sobre criptomoedas.

O processo não se assemelha ao da mineração de criptomoedas como o Ethereum, por exemplo. Em sua iteração atual, o Ethereum usa prova de trabalho, o que requer uma grande quantidade de energia do computador para colher e minerar a moeda descentralizada. Já a nova proposta, chamada Ethereum 2.0, usaria um modelo de prova de aposta, que é supostamente mais eficiente em termos de energia.

Parte do apelo das criptomoedas é que as pessoas podem enviar ou receber dinheiro sem o envolvimento de bancos tradicionais ou órgãos governamentais, ao contrário de uma moeda fiduciária controlada por um banco central. Todas as transações são verificadas e registradas por enormes redes de computadores, usando um banco de dados chamado blockchain. Normalmente, esse processo requer uma grande quantidade de eletricidade para alimentar esses computadores. Algumas estimativas colocam a produção de dióxido de carbono da mineração de bitcoin como equivalente à da Nova Zelândia.

Cohen disse ao CNN Business que espera ter a chia listada em criptomoedas em breve, incluindo a Coinbase, a casa de câmbio digital que abriu capital em abril.

Pronto para “cultivar”?

A chia foi feita para ser acessível.

“Projetamos nosso software com a intenção de ser utilizável por qualquer pessoa que possa usar a internet”, disse Cohen ao CNN Business. Uma vez que “cultivar” não requer grandes quantidades de energia, Cohen disse que “isso pode ser feito em um apartamento normal”.

A Chia Network possui uma plataforma de transação blockchain chamada Mainnet, que pode ser baixada no site da rede, chia.net. Para começar a cultivar, você deve baixar o programa para o seu computador e alocar uma certa quantidade de espaço para a rede por meio da interface do usuário.

“Ela envolve hardware completamente normal, em vez de coisas muito personalizadas e caras. A maioria das pessoas tem algum espaço de armazenamento não utilizado com o qual já pode fazer isso”.

Como o “cultivo” não consome muita energia, você pode ligar seu laptop e começar a trabalhar. Alguns outros processos de mineração de criptomoedas, no entanto, exigem maquinário complexo e causarão um grande aumento na conta de luz.

Os mineradores de bitcoin normalmente precisam ter suas máquinas funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana “para ter as melhores chances de obter um retorno sobre o investimento e maximizar a lucratividade”, afirmou o economista de moeda digital Alex de Vries ao CNN Business.

Vai economizar energia?

O processo de “cultivo” da chia é uma alternativa de mineração mais verde, mas ainda requer eletricidade.

Quando se trata de criptomoedas, “ecologicamente correto” é um “termo relativo”, segundo Nick Spanos, CEO da empresa de software Blockchain Technologies Corp. Os computadores precisam de energia para funcionar, e os recursos naturais são usados para construir discos rígidos, “da mesma forma que veículos elétricos e moinhos de vento ainda requerem muitos recursos para serem realmente ecológicos”.

O “plotting”, processo de criação de arquivos que são posteriormente coletados como parte do processo de cultivo, ainda usa espaço no disco rígido do computador e energia da CPU, mas requer muito menos energia do que o necessário para o processo de mineração por provas de trabalho de outras criptomoedas.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês aqui.)