BNDES registra lucro de R$ 9,8 bilhões no primeiro trimestre, alta anual de 78%

Para o presidente da instituição, Gustavo Montezano, resultado mostra a continuidade do amadurecimento do banco de fomento

Anna Russi, da CNN, em Brasília
13 de maio de 2021 às 14:41 | Atualizado 13 de maio de 2021 às 16:16
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Foto: Sergio Moraes/Reuters

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro de R$ 9,8 bilhões no primeiro trimestre de 2021. O número representa alta de 78% ante mesmo período do ano anterior. 

Os dados foram publicados nesta quinta-feira (13) e, para o presidente da instituição, Gustavo Montezano, mostram a continuidade do amadurecimento do banco. "Estamos muito satisfeitos com o resultado do banco nesse trimestre e no ano passado", afirmou.

 

"Vemos amadurecendo exatamente a estratégia que desenhamos para o BNDES há dois anos, entregando valor para a sociedade. Não apenas valor financeiro, mas também o intangível, de assessoria, de prestação de serviços financeiros para estados e para o governo federal", completou. 

Segundo o BNDES, o resultado do primeiro trimestre do ano foi impulsionado pela venda de ações e pela intermediação financeira.

Enquanto as vendas de ações de grandes companhias no período somaram R$ 12,6 bilhões, os empréstimos aprovados totalizaram R$ 11,3 bilhões, com alta de 35% ante janeiro a março de 2020. Nos desinvestimentos, os destaques foram nas vendas da participação do BNDES na Vale do Rio Doce e na Klabin, empresa fabricante de papel e celulose. 

"Destacamos neste ano a saída completa do BNDES na exposição de ações e debêntures participativas da Vale do Rio Doce. É a continuidade da nossa estratégia de sair e retirar o BNDES de posições financeiras meramente especulativas", observou Montezano. 

No primeiro trimestre, a carteira de participações societárias encerrou em R$ 61,5 bilhões, valor 21,1% abaixo do registrado no último trimestre de 2020. De acordo com a instituição de fomento, além das vendas, a queda é resultado da "desvalorização dos investimentos em não coligadas, com destaque para Petrobras e Eletrobras”. 

Inadimplência

A inadimplência acima de 90 dias avançou levemente de 0,01% para 0,04% da carteira do último semestre para cá. Apesar de ainda baixa, o presidente do BNDES afirmou que o banco espera que "esse nível de inadimplência muito baixo tende a subir, mas de forma natural, normal e esperada".

O BNDES fechou o primeiro tri de 2021 com ativo total de R$ 737,2 bilhões, com redução de 5,3%. "Principalmente, devido ao pagamento antecipado de R$ 38 bilhões ao Tesouro Nacional e à desvalorização da carteira de participações societárias em função de oscilações dos papéis no mercado financeiro", diz nota da instituição. 

Com a devolução antecipada dos R$ 38 bilhões, a dívida do BNDES com a União está em R$ 153,9 bilhões no primeiro trimestre. Isso representa queda de 21,2% em relação ao valor devido em dezembro de 2020.