Ações de vacinas tiveram pico de negociação em 2020; veja as que mais renderam

Muitos investidores buscaram, naturalmente, ações dessas farmacêuticas para compor suas carteiras de investimentos

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
14 de maio de 2021 às 09:27
Doses de vacina da Moderna contra Covid-19 em hospital francês
Doses de vacina da Moderna contra Covid-19 em hospital francês
Foto: Benoit Tessier/Reuters (1º.mar.2021)

Finanças e saúde foram protagonistas inequívocos do ano de 2020. Enquanto a pandemia do novo coronavírus avançava ao redor do globo e obrigava países a fecharem suas portas, governos passaram a injetar liquidez na economia para tentar mitigar os efeitos paralisantes da crise.

O vírus continuou avançando e castigando diversas regiões do globo, o que fez com que empresas farmacêuticas e de biotecnologia iniciassem uma corrida pelo desenvolvimento de imunizantes que, de alguma forma, ajudassem a travar a proliferação da Covid-19 pelo mundo.

Paralelamente, com a ajuda dos auxílios governamentais e, no caso brasileiro, com as taxas de juros em níveis historicamente baixos, uma nova parcela da população passou a ver o mercado acionário como uma possibilidade de auferir ganhos. Além, é claro, dos investidores experientes, que já estavam de olho no ambiente.

Ou seja, muitos investidores buscaram, naturalmente, ações dessas farmacêuticas para compor suas carteiras de investimentos. É o que mostra um levantamento da Stake, plataforma que permite investir em ativos internacionais, feito com exclusividade para o CNN Brasil Business

Presente em quatro países (Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra e Brasil) e atendendo cerca de 350 mil clientes, a startup analisou o volume de negociações na plataforma de cinco das principais empresas envolvidas no processo: Pfizer, BioNTech, AstraZeneca, Johnson & Johnson e Novavax.

À primeira vista, já é possível notar que, dos US$ 95 milhões transacionados nos papéis das marcas entre o primeiro trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, quase US$ 70 milhões ocorreram no terceiro e quarto trimestre de 2020, quando os imunizantes apresentaram resultados decisivos para sua utilização em massa.

A Moderna, que não era uma potência consolidada como algumas de suas principais rivais, foi a primeira fabricante que se destacou, antes mesmo do período de maior volume. Outra "novata", a Novavax, seguiu o mesmo caminho, mesmo com processo em estágios menos avançados.

Dados do Refinitiv mostram que os papéis da NVAX saltaram 513% no segundo semestre de 2020, enquanto MRNA avançou outros 113% no período. O maior salto de PFE foi de 12,23%, e já no terceiro trimestre do ano passado.

"Todas as companhias tiveram impacto no período, mas empresas maiores, como Pfizer e Johnson & Johnson, que têm outras linhas de negócios, naturalmente sentem menos esse tipo de variação. A Novavax, que não tinha outro core business, disparou", pontua Paulo Kulikovsky, diretor de operações da Stake no Brasil.

Até o final do ano, os maiores fabricantes de vacinas avançaram e também estavam engajados nos estágios finais de seus testes, com os primeiros resultados já disponíveis em novembro. A Moderna relatou uma taxa de eficácia de 94,1%, enquanto a Pfizer atestou 95% para o seu produto. Aqui tivemos o pico de negociações.

Então, veio dezembro, com um lembrete sobre a fragilidade da situação. Enquanto Estados Unidos e Reino Unido avançavam rapidamente na liberação dos imunizantes, outras cepas do vírus começaram a ser descobertas ao redor do globo. Algumas delas brasileiras, inclusive. 

Isso naturalmente impactou as expectativas do mercado e limitou os avanços das empresas até aqui, assim como limitações na produção e escoamento de produtos. Apesar disso, e conforme os testes se tornam mais abrangentes, as companhias podem voltar a atrair novos investidores.

"Essas ações ainda estão nos seus picos históricos ou próximas disso, mas ainda temos muitas incertezas. Quando, por exemplo, um imunizante é aprovado pelos reguladores para ser utilizado em novas categorias (jovens, gestantes, pacientes com comorbidades), isso pode ter um impacto", diz Kulikovsky.