Caso com funcionária motivou Gates a renunciar cargo na Microsoft, diz jornal

O Wall Street Journal relatou no domingo que uma engenheira da Microsoft alegou em uma carta que ela teve um relacionamento com Gates durante anos

Rob McLean, do CNN Business*
17 de maio de 2021 às 08:29
Bill Gates
O filantropo americano Bill Gates, em entrevista à CNN
Foto: CNN

A renúncia de Bill Gates do conselho de diretores da Microsoft em 2020 veio depois que o conselho contratou um escritório de advocacia para investigar um relacionamento romântico que ele tinha com uma funcionária da Microsoft, de acordo com uma nova reportagem do Wall Street Journal.

Citando "pessoas familiarizadas com o assunto", o Wall Street Journal relatou no domingo que uma engenheira da Microsoft "alegou em uma carta que ela teve um relacionamento sexual durante anos com Gates".

“Durante a investigação, alguns membros do conselho decidiram que não era mais adequado que Gates ocupasse o cargo de diretor da empresa de software que fundou e liderou por décadas”, relatou o Wall Street Journal. "Gates renunciou antes que a investigação do conselho fosse concluída."

O nome da funcionária não foi revelado na reportagem. A CNN não confirmou as alegações citadas pelo Wall Street Jornal.

"A Microsoft recebeu uma informação na segunda metade de 2019 de que Bill Gates pretendia iniciar um relacionamento íntimo com uma funcionária da empresa no ano 2000", confirmou ao CNN Business um porta-voz da Microsoft na noite de domingo. "Um comitê do Conselho analisou a situação, auxiliado por um escritório de advocacia externo, para conduzir uma investigação completa. Durante a investigação, a Microsoft forneceu amplo suporte ao funcionário que trouxe essa preocupação."

Em uma declaração ao Journal, um porta-voz de Gates disse que "houve um caso há quase 20 anos que terminou amigavelmente". "A decisão de Bill de fazer a transição do conselho não estava de forma alguma relacionada a este assunto. Na verdade, ele manifestou interesse em passar mais tempo em sua filantropia, começando vários anos antes."

O porta-voz também apontou para uma declaração de março de 2020 sobre sua decisão de renunciar ao conselho.

A história do WSJ foi publicada logo após um artigo do New York Times que relatava que Gates havia "desenvolvido uma reputação de conduta questionável em ambientes relacionados ao trabalho".

O Times relatou, citando "pessoas com conhecimento direto", que "em pelo menos algumas ocasiões, Gates perseguiu mulheres que trabalhavam para ele na Microsoft e na Fundação Bill e Melinda Gates".

O Times não citou os nomes das pessoas envolvidas.

O porta-voz de Gates disse ao Times que "é extremamente decepcionante que tantas inverdades tenham sido publicadas sobre a causa, as circunstâncias e o cronograma do divórcio de Bill Gates".

O porta-voz disse ainda que a "alegação de maus-tratos a funcionárias também é falsa", que "os rumores e especulações em torno do divórcio de Gates estão se tornando cada vez mais absurdos e que é uma pena que pessoas com pouco ou nenhum conhecimento da situação sejam caracterizadas como ‘fontes’"

A CNN não confirmou as alegações citadas pelo Times. Os porta-vozes da Fundação Bill e Melinda Gates não responderam imediatamente a um pedido de comentário na noite de domingo.

No início deste mês, Melinda Gates - esposa de Bill Gates e co-fundadora da fundação - pediu o divórcio. Em um comunicado anunciando sua separação, o casal disse: "depois de muito pensar e trabalhar muito em nosso relacionamento, tomamos a decisão de encerrar nosso casamento".

Bill Gates é uma das pessoas mais ricas do mundo. Seu patrimônio líquido era de US$ 144 bilhões até hoje, de acordo com o ranking Bloomberg Billionaires Index.

*Clare Duffy contribuiu para essa reportagem

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original, em inglês)