Fim de parceria entre Azul e Latam não deve encarecer passagem, diz especialista

Com a separação, veja o que deve acontecer em relação aos voos e aos valores das passagens

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
25 de maio de 2021 às 17:16 | Atualizado 25 de maio de 2021 às 17:19
A320 neo da Latam
Foto: Divulgação

Nesta terça-feira (25), a Latam anunciou que não irá mais realizar voos compartilhados com a Azul a partir de 22 de agosto. Com a mudança, o que deve acontecer em relação aos voos e aos valores das passagens?

Por um lado, mais voos ficarão disponíveis no segundo semestre do ano. Isso porque, em vez de realizar um voo em conjunto para o mesmo destino, ambas as companhias aéreas oferecerão uma opção de viagem para o consumidor. 

Para Tábio Melo, da consultoria Top Flight, isso indica que os valores das passagens não devem passar por aumentos. Com mais oferta, as empresas precisarão fazer mais ajustes em seus preços para se tornarem mais atrativas.

"A Gol é uma grande influenciadora de preços quando falamos de aviação, e ela não deve aumentar os valores em breve. E temos a Itapemirim já iniciando os voos, que logo deverá fazer grande concorrência, mantendo os preços dentro de uma faixa adequada", diz Melo. 

Por outro lado, segundo a consultoria Bain & Company, outros fatores podem acabar influenciando os valores das passagens.

"As tarifas não devem aumentar pelo fim do codeshare, mas há pressão para aumento vindo de outros fatores, como deseconomias de escala com a redução de tamanho da operação, câmbio e retomada da demanda", afirma André Castellini, sócio da consultoria.

Em nota enviada ao CNN Brasil Business, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que "a precificação das passagens aéreas é um processo complexo e dinâmico e está intimamente relacionado à demanda, à oferta e à concorrência do setor".

"Assim, os preços oscilam a todo instante em razão de diversos fatores, tais como distância entre a origem e o destino, condições contratuais para remarcação e cancelamento de passagens, antecedência da compra, dia da semana e horário do voo, aeroporto de origem e de destino e ações promocionais. Mas também afetam sensivelmente o preço das passagens fatores como alta e baixa temporada, sazonalidade e, sobretudo, o preço internacional do barril de petróleo e da taxa de câmbio", disse a agência.