Agronegócio puxa emprego também na construção e no comércio

Cidades fortes em agricultura e pecuária geraram em abril deste ano um volume de vagas formais duas vezes maior do que as demais

Márcia De Chiara, do Estadão Conteúdo
05 de junho de 2021 às 18:26 | Atualizado 05 de junho de 2021 às 18:27
Segundo a FAO, Brasil vai bem na exportação de produtos agrícolas inusitados
Foto: Alex Silva - 17.mar.2016/Estadão Conteúdo

Os investimentos no agronegócio funcionam como alavanca na geração de emprego e renda em cidades do interior. Municípios nos quais a agricultura e a pecuária pesam na economia local o dobro da média nacional geraram em abril deste ano um volume de vagas formais duas vezes maior do que as demais cidades na comparação com o mesmo mês de 2020, mostra um estudo da assessoria econômica do Bradesco.

As vagas formais abertas não foram necessariamente no setor agrícola, mas no comércio e na construção civil, principalmente. "O investimento no setor acaba multiplicando esses recursos e gerando mais renda e emprego no interior", afirma o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato.

No município de Bebedouro (SP), por exemplo, há hoje cerca de mil pessoas trabalhando na construção da fábrica de pectina da Cargill. A obra começou em 2020, e a unidade, inicialmente orçada em R$ 550 milhões, entra em operação em meados do ano. Cerca de 50% da cifra faz parte do pacote de quase R$ 1 bilhão que a companhia investiu no país em 2020.

Com mais da metade da produção voltada para exportação, a nova fábrica poderia ser instalada na Flórida (EUA) ou no México. Mas a multinacional escolheu o Brasil por causa da disponibilidade de matéria-prima, além de oferta de mão de obra e condições de infraestrutura, conta Laerte Moraes, diretor.

A pectina, espessante usado pela indústria de alimentos, é extraída da casca da laranja, e Bebedouro é um polo de citricultura. "Não tenho dúvida de que a cidade toda se reconfigura quando ocorre um investimento desse porte, com novas demandas para o comércio."

A Coamo, de Campo Mourão (PR), maior cooperativa singular da América Latina, com receita de R$ 20 bilhões, distribuiu em 2020 R$ 504 milhões em resultados a 30 mil cooperados. Esse dinheiro irrigou as economias das 71 cidades espalhadas entre Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, onde a cooperativa atua, conta o presidente, Airton Galinari.

Mas o grosso da injeção de recursos da cooperativa nas cidades do interior ocorre por meio de investimentos. Neste ano, a Coamo começa a construção de uma fábrica de ração em Campo Mourão, onde serão investidos R$ 81 milhões.

Essa cifra faz parte de um pacote de R$ 425 milhões previstos para 2021, que serão aplicados também na modernização de duas indústrias de óleo no Paraná e duas novas unidades da cooperativa no Mato Grosso do Sul. Em 2020, foram aplicados R$ 414 milhões. Metade foi para a construção do terminal no Porto de Paranaguá (PR).

Implementos

A Jacto, fabricante de implementos agrícolas e o maior empregador de Pompeia (SP), iniciou neste ano a construção de uma nova fábrica. Hoje são 50 pessoas trabalhando na obra, mas, no pico da construção, serão 700 trabalhadores, prevê Fernando Gonçalves Neto, diretor presidente. A fábrica será o dobro da atual e é o maior investimento da história da companhia, que faturou R$ 1,3 bilhão e tem 73 anos.