Queda do dólar beneficia empresas que dependem de produtos que vêm de fora

Moeda norte-americana se aproxima cada vez mais da marca dos R$ 5

Adriana de Luca, da CNN em São Paulo
11 de junho de 2021 às 09:50 | Atualizado 11 de junho de 2021 às 09:57

O dólar se aproxima cada vez mais da marca dos R$ 5. A última vez que a moeda norte-americana ficou abaixo desse patamar foi em junho do ano passado. Se isso voltar a acontecer, setores da economia brasileira que dependem das importações devem se beneficiar diretamente desta valorização do real.

O pãozinho, por exemplo, é um item indispensável no cardápio de muitos brasileiros. Só que por mais “brasileiro” que o pão possa parecer, o ingrediente principal vem de fora: a farinha de trigo. E, assim como todo produto importado, ela é cotada em dólar. Por isso, o preço do pãozinho aumentou tanto nos últimos tempos.

Na Madeleine Bakery, em São Paulo, quase tudo vem de fora. Por isso, Marcelo Marques, chefe executivo do estabelecimento, sofre com o aumento de preço dos produtos. À CNN, ele conta que uma fava de baunilha custava em média R$ 3,50. Agora, o mesmo produto custa R$ 35. 

“Uma coisa que nunca aconteceu na área da panificação foi ter tantos reajustes. No ano passado, tivemos reajustes duas vezes por mês na farinha”, falou Marques.

Queda da moeda norte-americana

O dólar, que influencia não só no preço dos alimentos, como dos combustíveis e medicamentos, vem caindo nos últimos dias.

Especialistas acreditam que a moeda norte-americana pode retornar a um patamar abaixo de R$ 5, o que vai ajudar a reduzir o preço de muitos itens.

“Esses fatores de risco fiscal menor, crescimento melhor e taxa de juros maiores no Brasil atraíram um fluxo de capital internacional e deram impulso a essa apreciação cambial nos últimos meses no país”, explicou Fabio Akira, economista-chefe da BlueLine Asset Management

“A expectativa é que nos próximos meses ou semanas a gente possa até romper esse patamar de R$ 5 o dólar, principalmente se o banco central americano na semana que vem continuar mostrando muita paciência em relação à aceleração da inflação nos Estados Unidos.”