Empreendedoras foram mais afetadas pela pandemia, diz pesquisa do Goldman Sachs

A situação das mulheres donas de empresas foi pior no Brasil do que em outros países pesquisados

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
15 de junho de 2021 às 05:00 | Atualizado 15 de junho de 2021 às 10:58

 

As mulheres empreendedoras foram as que mais sofreram com os impactos econômicos da Covid-19 no Brasil, segundo a pesquisa 'WomenNomics: O impacto da Covid-19 em 10 mil mulheres e 10 mil pequenos negócios', feita pelo Goldman Sachs.

A receita das empresas lideradas por mulheres teve queda de 66%, e os principais motivos foram a jornada dupla de trabalho e as tarefas domésticas, bem como níveis mais baixos de adaptação às ferramentas digitais para aumentar o potencial de seus negócios. 

Para Paula Moreira, diretora gerente do Goldman Sachs, existem outras motivações para a queda.

"Vemos um viés negativo de gênero para o acesso à capital, que afeta as mulheres nos negócios, além, é claro, da dupla jornada — temos que cuidar dos nossos negócios e temos um peso maior para cuidarmos da família e da casa. Assim, elas sofrem mais do que os homens", diz. "Além disso, elas também estão mais concentradas em setores que sofreram mais com a pandemia, como comércio, serviços e turismo, que precisam de uma presença local, que não podem ser operados 100% no digital", avalia.

A impacto também foi pior para as empreendedoras brasileiras do que aquelas de outros países analisados pela pesquisa. Por aqui, 12% das mulheres relataram que tiveram de fechar seus negócios permanentemente por conta da pandemia. No mundo, a taxa ficou em 3%. 

Para melhorar a situação dessas mulheres, Moreira entende que certas iniciativas deveriam ser fomentadas.

"Acesso a programas de investidores e de governos para dar apoio a essas mulheres seria muito importante. O segundo seria um treinamento e acesso às ferramentas digitais para ajudá-las a converter seus negócios para algo mais online, e, em terceiro, ampliar o acesso à educação, com melhoria nas creches e volta às aulas ou outros auxílios e programas que possam ser oferecidos às crianças", diz.

Aumentar a rede de conhecidos dessas mulheres também poderia ajudar. "Meu maior sonho de longo prazo é que os homens e mulheres sejam educados com as mesmas cobranças, estímulos, oportunidades e ambições, para que as mulheres tenham mais confiança em lancar novos negócios e tomar riscos", afirma. 

No Brasil, as mulheres apontaram como principais problemas para seus negócios fatores como a queda de vendas e contratos (62%), saúde mental e física (47%), equilíbrio entre vida pessoal e profissional (45%), entender e implementar as legislações governamentais (29%) e demitir funcionários (29%). Para 55% delas, o pior problema foi, realmente, a queda das vendas. 

Na avaliação de Paula Moreira, fica uma boa notícia. "As mulheres são resilientes, mantêm a confiança em seus negócios, buscam propósito além de lucro e continuam animadas para serem treinadas e treinar as suas equipes com relação à transformação — e esperamos que isso traga produtividade para elas no futuro", diz. 

Negócios liderados por mulheres foram os mais impactados pela pandemia, de acordo com pesquisa
Foto: Mulheres empreendedoras