Ibovespa cai após declarações de autoridades do Fed; dólar fecha em leve queda

Discursos de executivos do Federal Reserve aumentaram o medo com a inflação

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
23 de junho de 2021 às 09:19 | Atualizado 23 de junho de 2021 às 17:20
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Foto: CNN

O dólar à vista oscilou entre ganhos e perdas nesta quarta-feira (23) e acabou fechando perto da estabilidade, ainda abaixo de R$ 5 e em uma nova mínima em pouco mais de um ano, com o mercado dando uma pausa na sequência de baixas acentuadas à espera de novos catalisadores.

A divisa norte-americana teve variação negativa de 0,05%, negociada a R$ 4,9638 na venda – o menor nível desde 10 de junho de 2020 (R$ 4,9398).

No mercado acionário, o dia foi de leve perda. O Ibovespa chegou a subir e encostar nos 130 mil pontos, mas perdeu fôlego e fechou em queda de 0,26%, para 128.427 pontos. 

Investidores reagiam à MP do Senado que aumenta a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de bancos, indústria química e Zona Franca até o dia 31 de dezembro.

Em termos de política monetária e após tom mais duro da ata do Copom, mercado passou a precificar altas mais agressivas da Selic.

O Ibovespa mostrou pouca alteração enquanto o mercado se mostrou dividido entre o aumento do preço do minério de ferro e declarações duras de autoridades do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse que o Fed precisa subir o juro no ano que vem com a inflação mais forte do que o esperado nos EUA. 

Já Michelle Bowman, diretora do Fed, afirmou ser provável que os preços sigam subindo em 2021 e que as pressões inflacionárias devem durar mais tempo do que o esperado. 

A ansiedade nos mercados globais cresceu desde a semana passada, quando o Fed sinalizou que poderá antecipar o início do processo de alta de juros de 2024 para 2023.

Lá fora

O Nasdaq avançou para uma máxima recorde de fechamento nesta quarta-feira, impulsionado por uma alta das ações da Tesla, com investidores encorajados por dados que mostraram um pico recorde para a atividade fabril dos Estados Unidos em junho.

Segundo dados preliminares, o Dow Jones recuou 0,21%, aos 33.874 pontos, o S&P 500 recuou 0,11%, aos 4.241 pontos. Já o Nasdaq avançou 0,13%, aos 14.271 pontos.

Ganhos nos papéis de Nvidia e Facebook estenderam uma recente recuperação nas ações de crescimento de primeira linha, que perderam espaço nos últimos meses enquanto investidores se concentravam em companhias que devem ter bom desempenho à medida que a economia recupera-se da pandemia.

A empresa de dados IHS Markit informou nesta quarta-feira que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar para o setor de manufatura dos EUA subiu para 62,6 neste mês, superando estimativas de 61,5, de acordo com economistas consultados pela Reuters. No entanto, o PMI do setor de serviços caiu para 64,8, contra leitura de 70,4 em maio.

As ações europeias fecharam abaixo de máximas recordes nesta quarta-feira, com as preocupações inflacionárias ofuscando dados que mostram um salto na atividade empresarial em junho, enquanto as ações de fabricantes de bens de luxo francesas recuavam devido ao rebaixamento de seus "ratings" pelo HSBC.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,72%, a 1.748 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,73%, a 453 pontos.

As francesas Kering e Hermès caíram 3,0% e 1,5%, respectivamente, após o HSBC dizer que o mercado de bens de luxo "pode dar uma pausa, uma vez que poderia já estar no melhor que consegue".

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta seguindo o tom positivo de Wall Street.

O Hang Seng avançou 1,79% em Hong Kong hoje, a 28.817,07 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi subiu 0,38% em Seul, a 3.276,19 pontos, e o Taiex se valorizou 1,53% em Taiwan, a 17.336,71 pontos.

Na China continental, o dia também foi de ganhos. O Xangai Composto teve alta de 0,25%, a 3.566,22 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,79%, a 2.427,38 pontos.

Exceção, o índice japonês Nikkei terminou o pregão em Tóquio com perda marginal de 0,03%, a 28.874,89 pontos, após saltar mais de 3% ontem.

Já na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho, após a adoção de novas restrições de combate a Covid-19 em Sydney, cidade mais populosa do país. O S&P/ASX 200 caiu 0,60%, a 7.298,50 pontos. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo