'Seria importante conseguirmos a redução ou eliminação dos IPIs', diz Guedes

A equipe econômica tem tentado ajustar com o presidente uma nova faixa de isenção do IR; Guedes mencionou o aumento da faixa para quem ganha até R$ 2,3 mil

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
23 de junho de 2021 às 13:36
O ministro da Economia, Paulo Guedes
O ministro da Economia, Paulo Guedes
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil (18.dez.2019)

 

Poucas semanas depois de falar em uma alíquota mais alta para a indústria brasileira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou atrás e defendeu novamente a redução e/ou eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ele admitiu, no entanto, que tal ideia não tem como ser tratada na primeira etapa da reforma tributária. 

"Vamos, rapidamente, aprovar isso (criação da CBS, unificando Pis e Cofins) na Câmara e aí sim, no Senado, a gente tenta trazer o estados e fazer o fim dos IPIs, mas sem correr esse risco agora", afirmou em reunião virtual, nesta quarta-feira (23), com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

Como forma de tentar passar mais confiança para o setor em relação à ideia, Guedes mencionou o apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao fim do tributo. "Você viu o presidente falando outro dia, nós queremos acabar com o IPI". 

Para conseguir o fim do IPI, no entanto, o governo precisa compensar com alguma outra fonte de receita, e o ministro aposta no aumento da arrecadação para isso. "Estamos comprometidos em transformar o aumento de arrecadação em redução de alíquotas efetivas. [...] Seria realmente importante conseguirmos algo como redução dos IPIs ou mesmo a eliminação. Mas temos que pensar em efeitos colaterais que isso teria e como atacar também", complementou. 

Isenção, dividendos e Refis 

Nas últimas semanas, a equipe econômica tem tentado ajustar com o presidente Bolsonaro uma nova faixa de isenção do imposto de renda. Nesse sentido, Guedes mencionou o aumento da faixa para quem ganha até R$ 2,3 mil mensais

"Na pessoa física, vamos pegar, seja o aumento de arrecadação ou o imposto sobre dividendos, e transformar em desoneração lá embaixo, em aumento da faixa de isenção. Uma pessoa que ganha de R$ 1,9 mil a R$ 2,3 mil de salário, tem que estar isento", defendeu. 

A expectativa dele é "quase duplicar" a base de brasileiros isentos hoje, de forma a liberar os mais "frágeis" e "tributar lá em cima", referindo-se aos empresários que recebem dividendos e atualmente são isentos.

"Em compensação, vamos baixar imposto de renda das empresas em 5%, 2,5% mais 2,5%. Se o presidente for reeleito e o programa econômico seguir, vamos baixar 2,5% por ano. Imposto de Pessoa Jurídica tem que ser no máximo em 25%", acrescentou. 

Questionado sobre um novo programa de renegociação de dívidas, o ministro voltou a argumentou que há instrumentos mais efetivos que o Refis para aliviar as dívidas de empresas. Ele também defendeu que as médias e pequenas empresas sejam vistas de forma "especial". "Se é empresa pequena, vamos ser realistas e dar logo o deságio da dívida. [...] Estamos sendo bastante ousados nesse programa. Para pequenas e médias e setores mais vulneráveis temos que levantar essa turma toda", afirmou. 

Sem chorar pela Eletrobras 

O ministro voltou a falar que quer reindustrializar o país em cima da energia barata. Apesar de ter comemorado a aprovação da MP que viabiliza a capitalização da Eletrobras, ele admitiu que o governo ainda precisará trabalhar na liberalização do mercado de energia. 

"Não vamos chorar muito pela Eletrobras não porque a meta de liberalização do mercado de energia continua e vamos chegar lá. O que me foi prometido durante essa tramitação é exatamente que havia uma disputa muito grande, política e alguns partidos votando contra o governo. Mas vamos aprovar isso, vamos voltar com a liberalização do mercado de energia", reafirmou.