Combustíveis e energia podem dobrar inflação de julho, aponta especialista

Reajuste para gasolina, diesel e gás de cozinha começam a valer nesta terça-feira nas refinarias

Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro
06 de julho de 2021 às 11:30
Posto de gasolina
Veículos abastacem em posto de gasolina
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

O aumento de 6% no preço da gasolina nas refinarias, que começa a valer nesta terça-feira (6), vai pesar de diferentes maneiras no bolso do consumidor, e não vai afetar apenas os setores de transporte. Especialistas projetam que o aumento real (acima da inflação) seja de 2% nas bombas de combustíveis. 

Esse reajuste final ao consumidor menor que o anunciado ocorre devido à concentração de outros produtos na gasolina, como o álcool anidro (27,5%), diluindo o impacto da medida.

Segundo André Braz, professor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre) e analista de inflação, o setor já registra 30% de aumento ao longo de um ano, entre junho de 2020 e maio de 2021. Os valores de junho deste ano ainda não foram divulgados. 

"Embora a gasolina tenha um impacto direto muito forte, há impactos indiretos mais difíceis de mensurar, como o transporte e o frete. O aumento do diesel vai embasar reajustes tarifários de serviços rodoviários pelo país, e encarecer o valor do frete. Isso afeta diretamente a prestação de serviços. Assim como o aumento do GLP pode aumentar os custos dos restaurantes"

André Braz, da FGV

Pelo comunicado divulgado pela Petrobras, o preço médio do litro de gasolina nas refinarias aumenta R$ 0,16 e passará a sair a R$ 2,69. O diesel sobe R$ 0,10 e passará a custar R$ 2,81 o litro. Já o gás de cozinha (GLP) para as distribuidoras passou a ser de R$ 3,60 por kg, refletindo um aumento médio de R$ 0,20 por kg.

De acordo com o especialista, julho será percebido pelo consumidor como o “mês dos energéticos”. Isto porque, antes de a Petrobras ter anunciado na segunda-feira (5) os reajustes dos combustíveis, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já havia anunciado reajuste de 52% na tarifa da bandeira tarifária vermelha de patamar 2

A medida provocará, em média, reajuste de 8% nas contas residenciais, caso sejam mantidos os padrões habituais de uso do serviço. “Esses aumentos dos preços administrados [pelo estado] vai impulsionar ainda mais a inflação. Originalmente, eu previa 0,5%, mas, com esses reajustes, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ir para 1%”, avalia Braz. 

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação está em 8,06%. Um patamar bem mais alto que o teto da meta do governo, estipulado em 5,25%.