Puxada por energia, inflação sobe 0,53% em junho; em 12 meses, alta é de 8,35%

IPCA de junho veio abaixo do registrado em maio (0,83%), o que pode indicar que o indicador está respondendo à atividade ainda fraca, diz Perfeito, da Necton

Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo
08 de julho de 2021 às 09:01 | Atualizado 08 de julho de 2021 às 17:42

 

Puxado mais uma vez pela alta da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,53% em junho, abaixo da taxa de maio, que foi de 0,83%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (8). Mesmo assim, é o maior percentual para o mês de junho desde 2018 — no ano passado, a variação mensal havia sido de 0,26%.

Nos últimos 12 meses, o IPCA alcançou 8,35%, percentual bem acima do teto da meta de 5,25% previsto para este ano. No ano, o índice acumula alta de 3,77%.

Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, o IPCA veio abaixo da estimativa, de 0,65%. "Este resultado mostra que, em parte, alguns componentes da cesta do IPCA estão respondendo à atividade ainda fraca. O vilão foi a energia elétrica que subiu 1,95% no mês depois de ter subido 5,37% em maio, mas o grupo Habitação segue pressionado onde destacamos a alta da taxa de água e esgoto (1,04%)", disse em nota.

"O indicador pode tirar certo peso das costas do Banco Central, no entanto, a recente desvalorização do real pode jogar no sentido contrário", acrescenta. O especialista mantém projeção de Selic a 6,5% ao final de 2021, com alta de 1 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

É bom lembrar que o centro da meta da inflação para este ano, fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,75% e tem uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o IPCA pode ficar entre 2,25% e 5,25%.

Quando a meta é descumprida, o presidente do Banco Central precisa escrever uma carta ao ministro da Economia explicando as razões pelas quais o descumprimento aconteceu. 

Por grupos

O grupo Habitação (1,10%) subiu menos do que em maio (1,78%), principalmente devido à desaceleração da energia elétrica (1,95%) em relação ao mês anterior (5,37%). Ainda assim, este item exerceu o maior impacto individual no índice do mês (0,09 p.p.).

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta de preços em junho. Além do grupo Habitação, cujos preços subiram 1,10%, subiram Alimentação e bebidas (0,43%) e Transportes (0,41%), cujos impactos foram de 0,09 p.p.

A maior variação no mês (1,21%) foi do grupo Vestuário, que acelerou em relação ao mês de maio (0,92%) e contribuiu com 0,05 p.p. Os demais grupos ficaram entre a queda (-0,12%) de Comunicação e a alta de Artigos de residência (1,09%).

O grupo Habitação (1,10%) subiu menos do que em maio (1,78%), principalmente devido à desaceleração da energia elétrica (1,95%) em relação ao mês anterior (5,37%). Ainda assim, este item exerceu o maior impacto individual no índice do mês (0,09 p.p.). 

Por região

Todas as áreas pesquisadas apresentaram variação positiva em junho. O maior índice foi o da região metropolitana de Recife (0,92%), influenciado pelas altas nos preços da gasolina (4,92%) e da energia elétrica (2,78%).

O menor resultado ocorreu em Brasília (0,17%), por conta da queda nos preços das frutas (-7,53%) e da taxa de água e esgoto (-2,40%).

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 0,60% em junho, 0,36 p.p. abaixo do resultado de maio (0,96%). No ano, o indicador acumula alta de 3,95% e, em 12 meses, de 9,22%, acima dos 8,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2020, a taxa foi de 0,30%.

Os produtos alimentícios subiram 0,47% em junho, ficando abaixo do resultado de maio (0,53%). Já os não alimentícios tiveram alta de 0,64%, ante 1,10% em maio.

Foto: Kari Shea / Unsplash