Preços do petróleo sobem quase 2% com investidores avaliando o mercado apertado

Déficit da oferta de petróleo pode afastar a trajetória de queda nos contratos da commodity, diz analista

Por Gabriel Caldeira, do Estadão Conteúdo
13 de julho de 2021 às 18:48 | Atualizado 13 de julho de 2021 às 18:54
Surto do novo coronavírus causou maior choque na demanda de petróleo desde 2008
O surto do novo coronavírus causou o maior choque na demanda de petróleo desde a crise financeira de 2008
Foto: Christian Hartmann / Reuters

 O petróleo encerrou esta terça-feira (13) com ganhos, diante da leitura de investidores de que a demanda pela commodity energética sobe em ritmo bem mais acelerado que o da oferta. Com isso, temores relacionados à disseminação da variante delta do coronavírus e o corte de 100 mil barris por dia (bpd) na previsão da Agência Internacional de Energia (AIE) para a demanda global em 2022 ficaram em segundo plano.

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para agosto avançou 1,55% (+US$ 1,15), a US$ 75,25, na New York Mercantile Exchange (Nymex), enquanto o do Brent para setembro fechou em alta de 1,77%   (+US$ 1,33) na Intercontinental Exchange (ICE), a US$ 76,49.

Analista de mercado financeiro da Oanda em Nova York, Edward Moya avalia que o déficit da oferta de petróleo pode afastar a trajetória de queda nos contratos da commodity, vista em sessões recentes.

A visão de que a produção atual da commodity é insuficiente para sustentar a recuperação da demanda no segundo semestre de 2021 é reforçada pelo impasse nas negociações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

Além disso, o mercado precifica uma esperada queda nos estoques americanos do óleo, de acordo com a Rystad Energy, em relatório enviado a clientes.

"A confirmação de outro grande recuo provaria ainda mais a recuperação da demanda das refinarias nos EUA, e consolidaria os fortes níveis de preços", diz a consultoria. Hoje, por volta de 17h30 (de Brasília), o American Petroleum Institute divulga suas estimativas para os estoques americanos da commodity na semana passada, antes do dado oficial do Departamento de Energia amanhã.

Dessa forma, investidores apenas observaram o fortalecimento do dólar no mercado cambial, após a inflação ao consumidor dos EUA subir acima das previsões de analistas. Em tese, um dólar valorizado prejudica a demanda pelos contratos, por torná-los mais caros a investidores que negociam com outras divisas.

O otimismo dos investidores, no entanto, não imperou durante todo a sessão. Pela manhã, o relatório sobre mercado de petróleo da AIE conteve em partes a então modesta alta nos contratos, após a instituição revisar para baixo sua estimativa para a demanda global no ano que vem, citando o impasse na Opep+ e as variantes do coronavírus como obstáculos.

Cepa do vírus que provoca maior preocupação no momento, a delta segue no radar do mercado. Nesta terça-feira, o governo da Espanha decidiu prorrogar a restrição de voos de Brasil e África do Sul, atento também ao ritmo lento de vacinação nos dois países. Além disso, Rússia e Reino Unido registraram alta nas mortes diárias por covid-19.