Greve em aeroportos de Portugal afeta 650 voos, incluindo rotas para o Brasil

Funcionários da Groundforce, empresa portuguesa que oferece suporte terrestre às companhias aéreas que operam no país, estão com salários atrasados

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
19 de julho de 2021 às 16:31 | Atualizado 19 de julho de 2021 às 17:02
aeroporto de lisboa, greve
Painel do Aeroporto de Lisboa mostra dezenas de voos cancelados no domingo (18.jul.2021)
Foto: Horacio Villalobos/Corbis via Getty Image

Uma greve de 48 horas entre sábado (17) e domingo (18), convocada por funcionários da Groundforce, empresa portuguesa que oferece suporte terrestre às companhias aéreas que operam no país, fez com que centenas de voos fossem cancelados durante o final de semana.

Segundo informações da RTP, TV estatal portuguesa, 650 rotas foram canceladas no intervalo, algumas delas para o Brasil. Como resultado, terminais ficaram lotados e consumidores acumularam toda sorte de prejuízos, como exames PCR que perderam validade, acomodação, e alimentação.

Um porta-voz do Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA), que convocou a greve, disse à agência noticiosa local Lusa que praticamente 100% dos trabalhadores participaram na greve de Lisboa no sábado (17), o aeroporto mais movimentado do país.

A greve teve um grande impacto na empresa de bandeira portuguesa TAP, que utiliza os serviços de handling da Groundforce, mas não atingiu as empresas de baixo custo.

Os trabalhadores da Groundforce estão exigindo que a empresa de manuseio, que está em sérias dificuldades financeiras devido à pandemia do coronavírus, pague salários e férias devidos aos funcionários.

A greve afetou principalmente a operação do aeroporto de Lisboa e teve menor impacto nos outros nove aeroportos portugueses, disse o presidente-executivo da Aeroportos de Portugal (ANA), Thierry Ligonnière.

A Groundforce pertence 50,1% à portuguesa Pasogal e os outros 49,9% são do próprio grupo TAP-Air Portugal, que por sua vez é 72,5% controlado pelo Estado Português. Os dois acionistas se encontram, segundo a imprensa portuguesa, em litígio.

A TAP se ofereceu para emprestar o dinheiro necessário à Groundforce para pagar as férias aos seus trabalhadores, mas a proposta foi recusada pela empresa, que afirma que a companhia aérea já lhe deve pelo menos 7 milhões de euros.

Alfredo Casimiro, presidente da Groundforce, já declarou algumas vezes a intenção de vender a companhia para a suiça Swissport, que realiza o mesmo serviço.

Há uma nova greve prevista para os dias 30 e 31 de julho, 1 e 2 de agosto. Procurada, a TAP afirma que o calendário de voos já se normalizou, mas não comentou o imbróglio com a Groundforce.

A Azul informa que, em função da greve de funcionários do aeroporto de Lisboa, o voo da companhia que aconteceria no sábado, (17), de Campinas para Portugal, e o voo de domingo, (18), saindo de Lisboa com destino ao Brasil, foram atrasados em 24h. A companhia ressalta que contatou os clientes com antecedência para comunicar a postergação de seus voos.

*Com informações da Reuters