Dólar fecha em alta de 2,6% e Ibovespa cai com receios sobre a variante Delta

O Ibovespa alcançou o menor patamar desde maio enquanto os principais índices acionários dos EUA também fecharam em forte queda

Matheus Prado e Leonardo Guimarães, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
19 de julho de 2021 às 09:14 | Atualizado 19 de julho de 2021 às 17:35
arte business mercado
Foto: CNN

Uma alta nos casos globais de Covid-19 estressou os mercados nesta segunda-feira (19). Alimentados pela variante Delta, os novos casos da doença saltaram 70% nos Estados Unidos na última semana. Com investidores fugindo do risco, o dólar subiu 2,59%, negociado a R$ 5,2494. 

Na B3, o cenário não foi diferente. Enquanto Wall Street teve forte queda, o Ibovespa caiu 1,24%, para 124.394 pontos, com apenas nove ações operando no campo positivo.

Com o recuo de hoje, a Bolsa alcançou o menor patamar desde 27 de maio. A queda foi relativamente pequena, considerando que os índices de referência Dow Jones e S&P 500 tiveram recuos mais expressivos. 

Ação mais pesada do Ibovespa, VALE3 caiu 1,09% em meio ao declínio nos preços do minério de ferro na China. Os papéis da CSN (CSNA3) tiveram desvalorização de 1,34%. 

Os papéis ligados ao turismo sofreram no pregão, com Gol (GOLL4) caindo 3,6%, Azul (AZUL4) com queda de 3,04% e CVC (CVCB3) recuando 3,4%. 

A preocupação com a variante Delta ofusca o momento relativamente tranquilo em Brasília, com o recesso parlamentar e a reforma tributária do IR se estabilizando. Também há esperanças que os balanços corporativos do segundo tri venham fortes.

O mercado também acompanhou uma queda nos preços do petróleo (e de ações) após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) chegar a um acordo para continuar com o aumento gradual da produção da commodity, em meio à retomada da demanda global e alta nos preços.

Com a notícia, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 1,64%, enquanto PetroRio (PRIO3) tombaram 3,45%. 

Por aqui, no Boletim Focus, o mercado financeiro segue elevando a expectativa para a inflação em 2021. Na 15ª semana consecutiva de alta, a projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu para 6,31%, ante 6,11% na semana anterior. 

Assim, a estimativa para a Selic, a taxa básica de juros, avançou para 6,75% ao ano. Isso porque a taxa é a principal ferramenta do BC para controle da inflação. Enquanto isso, as perspectivas para a atividade econômica deste ano também têm melhorado. A expectativa é que o PIB de 2021 cresça 5,27%. 

Lá fora

Os principais índices de Wall Street caíram com força, com ações de viagem e de valor sendo pressionadas após a alta nos casos globais de Covid-19 provocar novas preocupações sobre a desaceleração do crescimento global.

O Dow Jones fechou em queda de 2,09%, a 33.962 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 1,59%, a 4.258 pontos, e o Nasdaq Composite recuou 1,06%, a 14.274 pontos.

As ações europeias fecharam em queda de mais de 2% e tiveram sua pior sessão em nove meses nesta segunda-feira, também com preocupações de que a variante Delta do coronavírus, de rápida disseminação, possa desacelerar a recuperação econômica global.

Ações vinculadas a commodities, bancos e viagens perderam mais de 3%, com os índices de ações relacionadas a petróleo e a viagens e lazer atingindo mínimas desde fevereiro.

Estendendo as perdas da semana passada, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 2,3%, com todos os setores no vermelho.

"Os investidores estão extremamente preocupados (com o risco) de que outro bloqueio possa ocorrer em um ou dois meses", disse Russ Mold, diretor de investimentos da AJ Bell. "A Covid está se espalhando rapidamente novamente, e companhias aéreas, restaurantes e empresas de lazer podem não ter o forte movimento de verão que tanto esperavam."

No Reino Unido, os novos casos de Covid-19 aumentaram para 48.161 no domingo, enquanto na França um ministro disse que a reimposição de medidas de toque de recolher não pode ser excluída se as infecções continuarem a aumentar.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa diante da aversão a risco no exterior. Na China continental, o índice Xangai Composto encerrou a sessão praticamente estável, em 3.539,12 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,1%, a 2.452,32 pontos.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng recuou 1,8% em Hong Kong, a 27.489,78 pontos, e o Kospi teve baixa de 1% em Seul, a 3.244,04 pontos, após a Coreia do Sul impor restrições mais rígidas a reuniões privadas em todo o país para tentar conter a cepa delta.

"Os mercados da Ásia começaram a semana de forma negativa devido à preocupação com o rápido aumento dos casos globais da variante delta, bem como com uma perspectiva econômica de desaceleração", afirma o analista-chefe de mercado da CMC Markets, Michael Hewson.

O Nikkei, por sua vez, caiu 1,3% no Japão, a 27.652,74 pontos. No fim de semana, os organizadores da Olimpíada de Tóquio informaram que dois atletas testaram positivo para a Covid-19.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, após um reforço do lockdown no país para conter a onda de infecções por covid-19. O S&P/ASX 200 caiu 0,8% em Sydney, a 7.286,00 pontos. Segundo analistas, a Indonésia, por sua vez, se tornou o novo epicentro da pandemia na Ásia.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo