Desemprego no setor industrial aumenta há pelo menos seis anos, aponta IBGE

Estados localizados no Sudeste foram os que mais perderam mercado

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
21 de julho de 2021 às 10:00 | Atualizado 21 de julho de 2021 às 19:34

 A indústria brasileira apresenta dificuldades econômicas muito antes da pandemia do novo coronavírus, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde 2013, o setor industrial registra uma redução no número de fábricas instaladas no país e, consequentemente, mais demissões. 

O número de indústrias no país chegou a 306 mil em 2019, resultado 8,5% menor do registrado em 2013. Em valores absolutos, este setor econômico foi desfalcado em pelo menos 28,6 mil empresas. Após o início da pandemia em 2020, os números tiveram outra queda.  

A taxa de demissão no país também apresentou alta. As empresas industriais ocupavam 7,6 milhões de pessoas em 2013, mas houve uma queda superior a 15%, em 2019. O valor representa a extinção de 1,2 milhões de postos de trabalho.

“O porte médio da indústria era de 25 pessoas ocupadas por empresa. Esse contingente vem recuando há pelo menos seis anos, acumulando uma queda de 15,6%”, diz um trecho da Pesquisa Industrial Anual (PIA) Empresa e Produto 2019. 

Os estados localizados no Sudeste do país foram os mais prejudicados pela retração no setor industrial. De acordo com o levantamento, a região perde participação desde 2010, apesar de ainda concentrar 57,7% das empresas do segmento.   

O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renan Pieri explicou à CNN que a perda de competitividade no Brasil é a principal razão para a retração industrial nos últimos anos. A automatização no setor também foi ressaltada pelo economista.  

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

 

“Essa redução no setor industrial ocorre de maneira geral no mundo inteiro, porque o setor de comércio e serviço vem ganhando protagonismo. Mas no Brasil a falta de competitividade faz com que a queda seja ainda mais acentuada. O avanço na tecnologia também ajuda para o aumento nas demissões, já que torna desnecessária a contratação de novos funcionários”, destacou.  

Expectativa para o futuro 

Com a vacinação contra a Covid-19, a confiança industrial voltou a subir. Dados da Confederação Nacional da Industria divulgados, nesta quarta-feira (21), apontam que todos os 30 setores industriais analisados em julho estão confiantes para uma retomada econômica no futuro. Esse foi o terceiro mês consecutivo em que o Índice de Confiança dos empresários permaneceu acima dos 50 pontos para todos os segmentos analisados.  

As indústrias especializadas em produtos de madeira são as mais confiantes entre os setores estudados no país, com 65,6 pontos. Logo em seguida vem os setores químicos e de máquinas, com 64,2% e 64,1%.  

Dentre os resultados divulgados pela CNI, as fábricas que menos estão confiantes são as do setor de bebidas, obras de infraestrutura e serviços especializados para a construção civil no Brasil. Todos os setores aparecem entre 55 e 58 pontos.