O mundo já registra 4,6 bilhões de dados vazados em 2021, diz PSafe

De acordo com a empresa de cibersegurança, a tendência é que o número de vazamentos ultrapasse a casa dos 10 bilhões no fim do ano

Raphael Coraccini, colaboração para o CNN Brasil Business
21 de julho de 2021 às 04:30
A LGPD disciplina empresas e entes públicos
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

 

Os números relacionados a dados vazados na internet dão a dimensão do desafio que é lidar com segurança da informação. O total de credenciais vazadas somente nos seis primeiros meses de 2021, em todo o mundo, foi de mais de 4,6 bilhões, o que representa um aumento de 387% em relação aos 1,2 bilhão de vazamentos de todo o ano de 2019.

A manter o ritmo de vazamentos, este ano deve superar o ano de 2020, que viu o número de ataques crescer vertiginosamente por conta da pandemia, já que boa parte da população mundial passou a trabalhar em casa com computadores domésticos. Na ocasião, os vazamentos atingiram 9,95 bilhões de dados, de acordo com levantamento da empresa de segurança digital PSafe com base nos dados da CyberLabs, empresa de cibersegurança baseada em inteligência artificial.

Segundo estudos da PSafe, a tendência é que, ao final de 2021, o número de vazamentos tenha ultrapassado a marca de 10 bilhões de credenciais.

Para Marco DeMello, CEO da PSafe, os cibercriminosos conseguiram avançar 10 anos nos últimos meses, beneficiados principalmente pelas tecnologias de inteligência artificial, que cresceram exponencialmente desde 2019, mesmo ano em que começaram a disparar os casos de vazamentos. Apenas entre 2019 e 2020, houve um salto de 726% no número de credenciais expostas ilegalmente.

Os dados sensíveis passaram a ser caçados pelos cibercriminosos a partir da ampla digitalização dos negócios e suas bases de dados nos últimos anos. Esse aumento no número de dados na internet facilitou o contrabando de informações. “No passado, para que uma invasão a um site ocorresse, era necessário que um hacker altamente especializado estudasse as infraestruturas digitais a fundo, procurando brechas de segurança antes de conseguir realizar uma invasão. Hoje, costumamos dizer que os hackers já não invadem mais os sistemas, eles apenas fazem login”, explica.

Desde o começo do ano, houve uma sucessão de denúncias de vazamentos de dados também no Brasil. Em janeiro, os dados de mais de 200 milhões de brasileiros vivos e mortos foram colocados à venda na deep web, a internet fechada para usuários leigos. O ataque abriu brecha para novos vazamentos, que se expandiram ao longo do primeiro semestre.