Ipea: Tendência de substituir transporte público por individual é preocupante

À CNN Rádio, o pesquisador Rafael Pereira diz que o estudo apontou aumento de 331% da frota de veículos individuais motorizados nos últimos 20 anos

Amanda Garcia, da CNN Brasil
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Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que nos últimos 20 anos o Brasil apresenta tendência de substituição do transporte público pelo individual. Entre os anos de 2001 e 2020, por exemplo, houve aumento de 331% na frota de veículos individuais motorizados.

Em entrevista à CNN Rádio nesta quarta-feira (4), Rafael Pereira, pesquisador do Ipea que ajudou a conduzir o levantamento, explicou que essa troca se dá “especialmente nas classes médias e baixas” da população.

“Isso é preocupante por causa dos efeitos nocivos do transporte individual, como problema ambiental, congestionamento, acidentes de trânsito e assim por diante”, disse.

Segundo Pereira, uma série de fatores contribui para essa tendência: o crescimento da renda nas últimas duas décadas e políticas nos âmbitos federais, estaduais e municipais de pouco apoio ao transporte público. “Por exemplo, a política de isenção tributária para a indústria automobilística”, reforçou.

Como o Brasil perde demanda de passageiros, o transporte público fica mais caro. “O custo é dividido pelo número de passageiros, e é assim que calcula a tarifa, se está caindo, a tarifa fica mais cara, transporte se deteriora e é uma receita de bolo para a deterioração.”

Outro fator de piora foi a pandemia. De acordo com o pesquisador, ela causou “agravamento” da tendência. “Ela aprofunda e agrava a perda de passageiros, a precarização do transporte público, por causa do receio com questões sanitárias; tanto é que quem pode usa transporte privado.”

A solução, para Pereira, envolve um “processo de experimentação” entre governos e prefeituras. “Existe um leque de opções, é importante qualificar e melhorar o transporte, com corredor exclusivo de ônibus, e diminuir o tempo de espera. É necessário colocar em debate o subsídio ao transporte público para que o valor não pese no bolso da população mais pobre.”

Uma outra questão também é a necessidade de um “desincentivo” ao transporte privado. “Isso pode ser feito com cobrança de estacionamento em áreas públicas e fazer com que a tributação seja utilizada para o transporte público, por exemplo.”

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