Ações da Petrobras fecham em alta apesar de troca no Ministério de Minas e Energia

Analistas atribuem desempenho positivo a movimento do setor em meio ao aumento nos preços do petróleo

Logo da Petrobras na sede da empresa no Rio de Janeiro
Logo da Petrobras na sede da empresa no Rio de Janeiro Sergio Moraes/Reuters

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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As ações da Petrobras operam em alta nesta quarta-feira (11), seguindo o desempenho positivo de outras petroleiras com papéis na bolsa e de outras empresas ligadas a commodities, caso das mineradoras, segundo analistas consultados pelo CNN Brasil Business.

Por volta das 15h13, a ação ordinária (PETR3) da estatal subia 4,41%, cotado em R$ 36,22. No fechamento, a alta ficou em 5,04%, a R$ 36,44.

Já a preferencial (PETR4) avançava 3,02%, aos R$ 33,42, encerrando a R$ 33,57, alta de 3,48%.

A alta ocorre no mesmo dia em que o petróleo voltou a subir no exterior, com o tipo Brent avançando mais de 5,44%, aos US$ 108,04, devido ao retorno de temores de uma oferta reduzida da commodity com possíveis bloqueios de compra de petróleo russo pela União Europeia.

Ainda nesta quarta-feira, o governo federal anunciou uma troca no comenda do Ministério de Minas e Energia. Bento Albuquerque foi exonerado do cargo, e o chefe da assessoria especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, foi confirmado como seu substituto.

A troca ocorreu dois dias depois da Petrobras, ligada ao ministério, anunciar uma alta de 8,8% no preço de venda do diesel para distribuidoras.

Dentro do governo, Sachsida defendeu a agenda de reformas do ministro Paulo Guedes, como a privatização da Eletrobras e a elaboração de uma proposta de reforma tributária, que não chegou a avançar no Legislativo.

Em declaração enviada à CNN após a confirmação da troca de comando da pasta, Adolfo Sachsida disse que está diante do maior desafio profissional de sua carreira e não quis entrar em detalhes sobre a saída de Bento Albuquerque.

Ricardo Campos, CEO e diretor de investimentos da Reach Capital, avalia que “a alta [nas ações da Petrobras] não tem nada a ver com a troca do ministro de Minas e Energia. O setor como um todo está subindo”.

Para ele, a alta está ligada ao aumento do petróleo, que favorece petroleiras no Brasil e no mundo. Campos atribui a elevação também a dados de casos de Covid-19 na China mais positivos, que podem levar à retirada de restrições de movimento e impulsionar a demanda por commodities novamente.

Já Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos, também atribui a alta a uma aversão menor a riscos nesta quarta-feira, favorecendo mercados como o brasileiro, mas destaca que o desempenho da estatal é possibilitado ainda pela falta de interpretação negativa por parte do mercado sobre a troca.

Apesar do governo federal demonstrar um descontentamento com a política de preços da Petrobras, trocas anteriores não levaram a mudanças nela, o que deve se repetir na atual, sem gerar temores entre os investidores.

“Hoje temos uma Petrobras mais forte, com evoluções na governança, e mesmo com esse descontentamento, segue promovendo aquilo que é mais saudável, sustentável”, diz.

Para Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama, o nome de Sachsida é bem visto pelo mercado, e a expectativa é que “não vá ter nenhuma interferência na lucratividade, na operação interna da Petrobras”, permitindo que a estatal siga o movimento do setor.

O Ministério de Minas e Energia tem sido citado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) quando o assunto é Petrobras. Em live nas redes sociais na última quinta-feira (5), o presidente citou o agora ex-ministro Bento Albuquerque ao reclamar do lucro registrado pela Petrobras no primeiro trimestre deste ano.

“Vocês não podem, ministro Bento Albuquerque e senhor José Mauro, da Petrobras, não podem aumentar o preço do diesel. Não estou apelando, estou fazendo uma constatação levando-se em conta o lucro abusivo que vocês têm. Vocês não podem quebrar o Brasil”, declarou o presidente.

Segundo os analistas de política da CNN Caio Junqueira e Gustavo Uribe, a substituição estaria ligada à alta nos combustíveis. Albuquerque teria sido informado sobre sua demissão no mesmo dia em que o reajuste do diesel foi anunciado.

Com informações de Basília Rodrigues, da CNN Brasil

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