Ações de varejistas fecham em queda na bolsa após Black Friday

Desempenho de uma das principais datas de vendas para o varejo ficou abaixo do esperado

da Reuters
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As ações de varejistas brasileiras caíam nesta segunda-feira (28) na bolsa de valores após dados apontarem para uma queda nas vendas online no final de semana de Black Friday, ainda que analistas tenham destacado para a dificuldade de comparação dos dados.

As ações de Americanas encerraram com desvalorização de 9,68%, a R$ 9,89, no topo das perdas entre as listadas. A concorrente Via perdeu 6,7% e a Magazine Luiza 2,92%. As Lojas Renner fechou em queda de 4,92%, Petz em -2,82%, Arezzo -1,06%, Grupo Natura -0,7% e Alpargatas -0,62%.

Dados da Confi Neotrust, em parceria com a empresa de inteligência de dados ClearSale, revelaram recuo anual de 34,2% no faturamento do varejo online de meia-noite de quinta-feira até sexta-feira às 19 horas, para cerca de R$ 3,1 bilhões.

No sábado, o desempenho melhorou, mas ainda assim ficou 4,3% abaixo do faturamento visto um ano antes, movimentando cerca de R$ 1,2 bilhão, segundo dados da Neotrust com base nas vendas do dia inteiro.

Analistas já vinham dizendo que o cenário de juros e inflação deveria impactar negativamente as compras do consumidor na Black Friday.

Além disso, a Black Friday de 2022 foi atípica, em especial por causa da convergência com a Copa do Mundo, o que fez com que diversas varejistas optassem por estender o período de promoções durante novembro. O boom de vendas online na pandemia também impacta na base de comparação dos dados.

"Dadas as compras antecipadas nas semanas que antecederam a Black Friday, o evento não deve ser analisado isoladamente", escreveram analistas do BTG Pactual liderados por Luiz Guanais em relatório com data de domingo.

"Enquanto isso, alguns compradores voltaram a lojas físicas para a Black Friday, tornando as vendas do e-commerce menos comparáveis ​​às dos últimos dois anos", acrescentaram.

Dados da Neotrust também mostram recuo no acumulado em novembro. Marcelo Queiroz, chefe de estratégia de mercado da ClearSale, disse que "o faturamento total do e-commerce, de 1 de novembro até o dia 26, às 23h59, fechou com R$ 17,7 bilhões, algo cerca de 8% menor que 2021".

A equipe do Safra afirmou em comentário a clientes não acreditar "que alguém esperasse que a Black Friday mudasse drasticamente a tendência de um ano globalmente difícil para o e-commerce em termos de vendas".

Eles disseram que as ações do setor devem continuar sendo mais impactadas pela "incerteza em relação ao cenário macroeconômico e seu impacto nas taxas de juros (e consequentemente no custo de capital) do que pelo desempenho operacional de curto prazo."

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