Adriano Pires desiste de indicação para presidência da Petrobras

Economista enviou carta ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque; leia a íntegra

Adriano Pires, teve nome confirmado na segunda-feira, 28 de março de 2022, como indicação do governo para ser o novo presidente da Petrobras. Foto de maio de 2018.
Adriano Pires, teve nome confirmado na segunda-feira, 28 de março de 2022, como indicação do governo para ser o novo presidente da Petrobras. Foto de maio de 2018. Dida Sampaio / Estadão Conteúdo

Do CNN Brasil Business*

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O economista Adriano Pires informou, nesta segunda-feira (4), que não vai aceitar a indicação para assumir a presidência da Petrobras no lugar do general Silva e Luna.

Em carta encaminhada ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e obtida com exclusividade pelo âncora da CNN Brasil William Waack, o economista agradeceu o convite e reconheceu a dificuldade em conciliar a indicação com sua atuação profissional.

“Ficou claro para mim que não poderia conciliar meu trabalho de consultor com o exercício da Presidência da Petrobras. Iniciei imediatamente os procedimentos para me desligar do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho. Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazê-lo em tão pouco tempo”, diz Pires no documento.

Já o Ministério de Minas e Energia afirmou entender as razões de Pires e desejou sucesso na vida profissional do economista. “(…) em decorrência de suas considerações consignadas na carta encaminhada a esta Pasta, compreendemos as razões que o motivaram a declinar da indicação à Presidência da Petrobras. Certo de podermos continuar contando com as suas oportunas contribuições, desejamos continuado sucesso em sua vida pessoal e profissional.”

Ao longo desta segunda-feira, aliados do economista Adriano Pires afirmaram que ele estudava formas de viabilizar sua indicação para a presidência da Petrobras, embora admitissem que a formatação da lei que rege as normas para indicações a cargos em estatais impede “que um nome de mercado” dirija a petroleira.

A lei aprovada no governo de Michel Temer limita nomeação de executivos que tenham relação ou parentesco com proprietários de empresas que indiquem conflito de interesses, ou que atuem no mesmo setor.

Formado em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pires já foi superintendente geral e assessor de diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), professor na UFRJ e é fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), em que atua desde 2000 como diretor.

Ao mesmo tempo, o governo federal iniciou uma força-tarefa para tentar evitar uma desistência de Adriano Pires para o comando da Petrobras, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil da Casa Civil e da Economia

Diante da possibilidade de Pires desistir de assumir a presidência da Petrobras, o nome do secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, voltou a ser cotado para comandar a estatal.

O auxiliar do ministro Paulo Guedes havia surgido como possível substituto de Joaquim Silva e Luna há duas semanas. Integrantes do governo disseram à CNN Brasil, em caráter reservado, que Paes de Andrade é um gestor, cujo perfil agrada não só o chefe da Economia, mas também o próprio presidente Jair Bolsonaro

No domingo (3), Rodolfo Landim, atual presidente do Flamengo, também recusou a indicação para assumir a presidência do Conselho da estatal.

Landim informou que encaminhou para o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, um documento em que informa a decisão, alegando que que não conseguiria conciliar os cargos, e agradece o convite.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que avalia outro nome para a presidência do conselho “com a responsabilidade que a situação requer”.

A indicação de Landim e Pires ocorreu há uma semana, na segunda-feira (28), e seria submetida à análise dos conselheiros da estatal em reunião no dia 13 deste mês. A troca ocorre em meio à pressão política sobre a Petrobras devido ao aumento dos preços dos combustíveis.

Em declaração exclusiva à CNN Brasil, Silva e Luna afirmou que não vai deixar a Petrobras enquanto a solução definitiva para o comando da companhia não for acertada.

“Na vida temos que fazer escolhas. Entendo que, nesse momento, o bem a ser tutelado é a Empresa. Deixo o amor-próprio de lado e entrego no tempo que for melhor para a imagem, reputação e continuidade dos trabalhos da Petrobras”, disse Silva e Luna à apresentadora do CNN Money, Thais Herédia.

Por volta das 13h, as ações da Petrobras caíam 2,27% (ordinárias) e 1,91% (preferenciais), para encerrar com queda de 0,94%, no caso das preferenciais, e de 0,53%, no das ordinárias.

Leia a íntegra da carta de Adriano Pires:

“Foi com muito orgulho, Senhor Ministro, que recebi seu convite para assumir a Presidência da Petrobras. Com mais de 30 anos de vida dedicados ao setor de Óleo e Gás, comecei a trabalhar as condições para cumprir a missão que me foi dada. Vi nessa missão a certeza de poder ajudar a Companhia e o País a enfrentar a atual conjuntura de turbulência e incerteza no cenário mundial.

Senti-me confiante porque constatei o alinhamento de visões em relação ao papel da Companhia neste momento.

Ficou claro para mim que não poderia conciliar meu trabalho de consultor com o exercício da Presidência da Petrobras. Iniciei imediatamente os procedimentos para me desligar do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho. Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazê-lo em tão pouco tempo.

É por isso, Senhor Ministro, que sou obrigado a declinar de tão honroso convite. Agradeço imensamente a V.Exa e ao Senhor Presidente, Jair Messias Bolsonaro, pela confiança depositada em mim, para tão importante missão, e pela deferência e respeito com que fui tratado por V.Excias e por esse Governo.

Ao longo de minha carreira, sempre lutei pelo desenvolvimento do mercado brasileiro de Óleo e Gás. Venho defendendo publicamente a
importância de regras de mercado e do aumento da competição, em prol do consumidor e da sociedade, do crescimento do País e do incentivo aos investimentos.
Para concluir, reafirmo aqui o compromisso de continuar nessa luta, que é em favor do Brasil e votos de continuado sucesso na gestão do nosso Presidente Bolsonaro em favor do povo brasileiro.

Com elevado apreço, Adriano Pires”

Na noite desta segunda-feira, a Petrobras informou que recebeu os dois ofícios do Ministério das Minas e Energia, com a confirmação das desistências de Adriano Pires e de Rodolfo Landim. Contudo, a companhia afirma que, “até o momento, não recebeu informações do Ministério das Minas e Energia acerca das substituições dos indicados”.

*Publicado por Deise de Oliveira.

 

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