Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Possível conflito de interesse não é único problema na Petrobras, diz economista

    À CNN, ex-diretor da estatal avalia que governo tenta conciliar demandas divergentes sobre papel da empresa

    Ex-diretor da Petrobras afirma que governo federal enfrenta grande dilema com a Petrobras
    Ex-diretor da Petrobras afirma que governo federal enfrenta grande dilema com a Petrobras Fernando Frazão/Agência Brasil

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    Para o economista e ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer, um possível conflito de interesses por parte dos indicados pelo governo federal a cargos na estatal não é o único problema que a empresa tem enfrentado.

    Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (4), ele avalia que a possibilidade de conflito de interesses envolvendo Adriano Pires, indicado à presidência da estatal, e Rodolfo Landim, que desistiu da indicação para a presidência do conselho da empresa, tem duas vertentes.

    “Uma é aquela derivada da legislação, que diz que qualquer dirigente da Petrobras, no conselho ou diretoria, não pode continuar exercendo direta ou indiretamente atividades em favor de empresas concorrentes à Petrobras”, diz.

    Para ele, esse aspecto em relação a Pires precisa ser “profundamente esclarecido”. “A Petrobras tem uma área de compliance que deveria funcionar e deve examinar o currículo das pessoas propostas, e elas próprias têm que ter transparência, não deixar de divulgar o que é importante”.

    “O segundo nível é o conflito de interesses em torno do que a Petrobras representa. Hoje, ela produz pelo menos a maior parte do petróleo brasileiro, cerca de 2,6 milhões barris por dia dos 3 milhões produzidos no total, são da Petrobras”.

    Nesse sentido, Sauer vê uma disputa pela fatia do faturamento significativo da empresa, que se divide em impostos, royalties, lucros e dividendos.

    “De um lado, os acionistas querem que a maior parte disso vá para dividendos, e os consumidores querem que os combustíveis tenham um preço mais baixo. Já a população, que pela Constituição é a dona do petróleo e construiu a Petrobras, deveria perceber que parte desse dinheiro deveria ir para educação e saúde pública”, diz.

    Ele aponta, ainda, um quarto público, que se liga à questão de possíveis conflitos de interesse: as empresas estrangeiras.

    “A maior parte não tem tido acesso em lugar algum do mundo. Os grandes exportadores da Opep tem concentrado petróleo nas estatais, e o Brasil é um dos poucos países em que grandes empresas te tido acesso a reservas, e parte desses consultores tem historicamente atuado em trabalhos de consultoria em favor dessas empresas”.

    Segundo o economista, é esse o caso de Pires. Ele ressalta que esses trabalhos não são ilegais ou ilegítimos, mas podem acabar caracterizando conflito de interesses e impedir a indicação.

    Sauer considera, porém, que o “grande dilema” do governo federal seria outro. “Quer de um lado dizer que atende às pressões dos acionistas e investidores estrangeiros, e do outro, em período pré-leitoral, está preocupado com a repercussão dos preços elevados dos combustíveis e quer atender a demanda por preços mais baratos, que é uma questão muito séria”.

    Por isso, há a dificuldade de conciliar esses dois objetivos, que acabam levando a medidas divergentes das esperadas por cada grupo. “O problema jurídico tem que ser superado primeiro, não foi ainda, mas não é o único”.