Agências de classificação de risco: o que são e qual a relação com investimentos

Tanto empresas quanto governos estão sob o escrutínio dessas empresas ao longo do ano todo

Foto: Shutterstock

Raphael Coraccinicolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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As agências de classificação risco ou de rating funcionam como medidoras de risco e são usadas pelo mercado financeiro para instruir investidores quanto às melhores decisões sobre onde colocar o dinheiro e fazer render.

Tanto empresas quanto governos estão sob o escrutínio dessas empresas ao longo do ano todo, avaliando desde o time de executivos e gestores públicos e suas decisões até acontecimentos políticos que possam afetar a capacidade de as empresas e governos pagarem seus credores.

Entenda como as agências de risco atuam e como distribuem suas notas.

O que são agências de risco?

Também conhecidas como agências de rating, elas avaliam o grau de investimento de instituições privadas, como bancos e empresas, e também públicas, como companhias estatais ou até mesmo governos. Ou seja, avaliam a capacidade de honrar com seus compromissos financeiros.

As agências são empresas privadas e independentes e se propõem a estudar os riscos envolvidos no mercado financeiro e dar alguma segurança para o investidor escolher onde vai colocar o seu dinheiro.

Estima-se que apenas três agências concentrem 95% do mercado de análise de risco no mundo. São elas: Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s.

Como as empresas e governos são avaliados?

Os países e empresas procuram as agências de risco para que passem a receber avaliações das instituições. São, portanto, os avaliados que sustentam o negócio dessas agências e fazem isso porque querem receber a atenção do mundo dos investimentos, que tem confiança nas avaliações das agências de risco.

Depois de fechado o contrato, as agências passam a avaliar a capacidade de empresas e governos pagarem suas dívidas e prover lucros para os investidores. Essa avaliação é divulgada em relatórios financeiros, que resumem a qualidade das instituições nas chamadas notas de risco ou notas de crédito.

Como as notas são atribuídas pelas agências de risco?

Para dar essa nota, as agências de risco levam em conta a habilidade e experiência dos executivos das empresas ou líderes políticos, o nível de endividamento, a capacidade de gerar receita e a qualidade dos ativos negociados.

Para uma empresa, os riscos de seus negócios não envolvem apenas desafios internos de gestão e produtividade, por exemplo, mas também o cenário macroeconômico e social que a envolve. No Brasil, por exemplo, o chamado “Risco País” é um desafio para atrair investimentos devido a questões tributárias, de segurança, estabilidade econômica e política e de infraestrutura. Esses desafios regionais são sempre considerados pelas agências na hora de atribuírem as notas de risco.

Como funciona a escala de notas?

As notas dadas a empresas e governos não são estáticas. Elas mudam conforme a situação econômica da instituição melhora ou piora.

Na escala alfabética descendente usada pelas agências, as notas vão do chamado “Triple A” (AAA ou triplo A), que é a máxima avaliação, a D, que significa o estado de inadimplência da empresa ou do governo.

A Argentina é um exemplo de país que experimentou posições próximas do D na década passada. Em agosto de 2019, o país atingiu o nível SD (default seletivo) da S&P por causa do calote dado em parte da sua dívida. Logo depois da renegociação, o país foi reconduzido à posição CCC, para as dívidas de longo prazo, e à categoria C, para as de curto prazo. Apesar da recuperação, o desempenho do país ainda era considerado insuficiente para que retomasse o chamado grau de investimento, que é a nota de corte que uma instituição precisa alcançar para ser considerada um investimento seguro.

Avaliação AAA

Essa avaliação é dada a governos e empresas que apresentam o menor risco possível de calote. Por serem um investimento de baixo risco, eles também costumam oferecer um rendimento menor aos investidores. Essa graduação é muito difícil de ser alcançada, e parece cada vez mais inalcançável. Em fevereiro de 2019, apenas duas empresas nos Estados Unidos tinham essa qualificação no ranking S&P: Microsoft e Johnson & Johnson. Em relação aos países, 18 compunham a lista AAA da Fitch até a crise de 2008. Esse número caiu para 10 em 2020.

As agências erram?

Sim, e podem errar de maneira catastrófica. As agências ajudaram a alimentar uma das maiores crises econômicas que o mundo já viu. Em 2008, deram classificações próximas da nota máxima para ativos ruins, os chamados subprimes. Os títulos relacionados às hipotecas imobiliárias dos americanos se desmancharam no ar, levando, num primeiro momento, financeiras, bancos, fundos de investimento e seguradoras para o buraco. Depois, populações e governos do mundo todo também foram impactados pela crise econômica.

Como os investidores usam as avaliações das agências de risco?

Apesar do erro, as agências continuam tendo credibilidade no mercado financeiro. Os investidores usam as notas dadas pelas agências de risco para saber onde aplicar o dinheiro. Quanto maior a nota dada pelas agências a uma empresa ou um país, mais seguro o investimento. Isso não quer dizer que os papéis com avaliação baixa não são negociáveis, mas que envolvem mais riscos para o investidor e, no mercado financeiro, riscos quase sempre envolvem compensações maiores. As empresas que têm ranqueamento baixo geralmente oferecem maior lucratividade aos investidores para atraí-los.

Para conhecer as notas de empresas e países, o investidor pode solicitar à sua corretora de investimentos, que deve disponibilizar as informações suficientes para que a melhor decisão seja tomada, não só relacionado às notas das empresas, mas aos principais indicadores do mercado financeiro que impactam direta ou indiretamente os investimentos.

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