Além de Bezos: quais CEOs deixaram a presidência das empresas que fundaram

A lista de fundadores e CEOs que deixam seus cargos em companhias é extensa e inclui empresas como Microsoft, Uber, Tinder, entre outras

Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon
Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon Foto: Divulgação

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O fundador da Amazon deixou a presidência da companhia nesta segunda-feira (5), após comandá-la por cerca de 27 anos, desde quando a ideia da varejista saiu do papel. Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo segundo a Bloomberg, tem uma fortuna estimada em US$ 203 bilhões — e não é o primeiro CEO a deixar a empresa que fundou.

Na semana passada, Colin Huang, fundador do e-commerce chinês Pinduoduo anunciou que iria deixar o cargo de presidente de sua própria companhia, após o site alcançar a marca de 788,4 milhões de usuários ativos, ficando a frente dos 779 milhões do Alibaba e dos 300 milhões da Amazon.

Mas eles não são os únicos. A lista de fundadores e CEOs que deixam seus cargos em companhias é extensa e inclui empresas como Microsoft, Uber, Tinder, entre outras (Veja lista abaixo). 

Para Renato Mendes, CEO da F5 Business Growth, a saída do fundador de um negócio no dia-a-dia é “um processo natural”. “Basta olhar para outras big techs para verificar isso. Em algum momento, o fundador optará para sair da empresa e ir para o conselho. Essa saída dessas figuras icônicas, normalmente tem risco, tanto para dentro quanto para fora, existe o risco de perder o brilho. Mas, no geral, vejo com bons olhos essa mudança por um simples motivo: nem sempre bons fundadores se tornam CEOs”, diz. 

Mendes explica que as habilidades de um CEO e de um fundador são bem diferentes na prática. “Quando o fundador sai, abre espaço para o crescimento”, afirma. 

O único fundador das big techs que ainda se mantém na presidência da companhia é Mark Zuckerberg, do Facebook. Mendes diz que isso acontece porque, além de Zuckerberg ser um empreendedor novo, ele ainda tem “um perfil de quem não abre mão do poder tão cedo”. 

Confira os casos mais famosos de executivos que deixaram de ser o comandante das empresas que fundaram:

Bye, Microsoft

Bill Gates
Foto: Ramin Talaie / Correspondente / Getty Images

O caso mais emblemático talvez seja o de Bill Gates, cofundador da Microsoft ao lado de Paul Allen. Gates deixou a presidência da companhia de software em fevereiro de 2014, afirmando que se tornaria, então, uma espécie de conselheiro tecnológico. Em março de 2020, Gates saiu de vez da empresa para “focar em seus projetos de filantropia” — mas, recentemente, notícias apontavam que ele deixou a companhia porque, na verdade, teve um relacionamento impróprio com uma engenheira de software da Microsoft.

Em 2020, os conselheiros da companhia acharam melhor que ele saísse totalmente da Microsoft por causa de uma investigação que fizeram sobre a relação de Gates com a sua funcionária. Antes que os membros do conselho pudessem tomar uma decisão formal com a conclusão da investigação, Gates renunciou ao cargo de diretor da empresa, segundo o jornal “Wall Street Journal”. 

Problemas com Zuckerberg

Kevin Systrom e Mike Krieger
Foto: Chris Saucedo / Colaborador / Getty Images

Kevin Systrom e Mike Krieger, fundadores do Instagram, deixaram a empresa em 2012 após o Facebook comprar o app de fotos por US$ 1 bilhão, apenas dois anos após sua fundação. Systrom, à época, era o CEO. Ambos deixaram a companhia por “problemas com Mark Zuckerberg”. Estimativas apontam que, atualmente, a rede social está avaliada em cerca de US$ 100 bilhões — ou até mais. 

Condução para o desastre?

Travis Kalanick
Foto: Justin Sullivan / Equipe /Getty Images

O cofundador da Uber, Travis Kalanick, também deixou o cargo de CEO de sua empresa. Em 2017, a Uber foi multada em US$ 20 milhões por usar “táticas desonestas de recrutamento”, e um motorista gravou Kalanick fazendo comentários insensíveis ao tentar defender a empresa, inclusive de acusações sobre assédio sexual que a companhia havia recebido naquele mesmo ano.

Em 2019, ele também deixou o quadro de diretores do aplicativo de transportes, vendendo quase todas as suas ações da empresa — o que pode ter feito com que ele perdesse cerca de US$ 1,2 bilhão com a valorização dos papéis da companhia. Há quatro anos, a Uber tinha uma avaliação de mercado de US$ 68 bilhões. Nesta segunda-feira, a avaliação estava em US$ 97,11 bilhões. 

Sem match

Bumble, Whitney Wolfe Herd
Foto: Bumble/Divulgação

Whitney Wolfe-Herd, do Bumble, deixou uma das empresas que fundou em sua vida: o app de relacionamentos Tinder. Ela não chegou a ser CEO, mas ocupava o cargo de vice-presidente de marketing e saiu da empresa por ser vítima de assédio sexual, cometido por seu ex-chefe e ex-esposo Justin Mateen.

Mateen foi afastado da companhia, mesmo negando as acusações, que hoje é presidida por Jim Lanzone. O Tinder ainda é uma empresa privada, ou seja, sem capital aberto (não realizou o famoso IPO), mas, com mais de 6,5 milhões de downloads mensais, é o app de relacionamentos mais popular do mundo, segundo a Statista. 

A Tesla sem Musk

O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk
Foto: Mike Blake – 13.jun.2019 / Reuters

Pode parecer loucura, mas Elon Musk não é o CEO da Tesla desde sempre. Antes dele, Martin Eberhard, um dos cofundadores da fabricante de carros elétricos, era o presidente da companhia até Musk, que era o maior investidor da Tesla à época, assumir a posição. Parece ter dado certo. A empresa hoje em dia é avaliada a US$ 654 bilhões e as ações são vendidas por aproximadamente US$ 678 cada. Em março deste ano, Musk anunciou que agora é o é o “tecnorei” (technoking, em inglês) da companhia, em uma brincadeira com a série Game of Thrones.

Procura no Google

Larry Page e Sergey Brin
Foto: ullstein bild / Colaborador / Getty Images

Os cofundadores do Google também saíram da companhia. Larry Page era o CEO da Alphabet, que gere o mecanismo de pesquisa, e Sergey Brin era o presidente. Em 2019, eles deixaram a empresa em meio aos julgamentos que acusavam o Google de ser anticompetitivo e de impedir o crescimento de seus rivais. A investigação continua até hoje, mas os resultados da empresa, avaliada a US$ 1,70 trilhão, continuam positivos. 

E quando o fundador é demitido?

Steve Jobs
Foto: Ann E. Yow-Dyson / Colaborador / Getty Images

Pode parecer esquisito, mas acontece. E até mesmo com gigantes como Steve Jobs, fundador da Apple. Em setembro de 1985, ele foi demitido da companhia que mais tarde se tornaria uma das mais valiosas do mundo por conta de disputas de poder com o CEO John Sculley. Fora da Apple, Jobs fez história, fundando a NeXT e a Pixar. Em 1996, a Apple comprou a NeXT, e Jobs voltou a integrar o quadro de funcionários, virando CEO apenas um ano depois. 

Sandy Lerner também foi demitida da companhia que ajudou a fundar, a Cisco Systems. Lerner, que começou a empresa ao lado de seu ex-marido, Leonard Bosack, em 1980, foi despedida quando o investidor Donald Valentine achou que ela e Bosack não estavam gerenciando a empresa corretamente — ao se tornar um dos investidores da Cisco, Valentine deixou de lado o contrato empregatício dos fundadores da empresa.

Em 1990, quando ele e Lerner começaram a brigar com frequência, ele a demitiu. Logo depois, Bosack também deixou a companhia em simpatia à então esposa. 

Eduardo Saverin, o brasileiro que cofundou o Facebook, também foi demitido da rede social por “problemas com Zuckerberg”. Ele não era o CEO da companhia, mas ocupou a posição de CFO (chefe da área financeira) por um bom tempo até ser demitido por Zuckerberg. Segundo Saverin, não existem ressentimentos entre os dois. 

Andrew Mason cofundou o Groupon em novembro de 2008 — e, em 2013, deixou de ser o CEO de sua empresa. À época, as ações da companhia eram vistas como umas das mais quentes no mercado, mas o valor delas caiu 1/4 e, por dois trimestres, a empresa não atingia as suas expectativas de receita.

Em sua carta de despedida, ele escreveu: “Depois de quatro anos e meio intensos e maravilhosos como CEO da Groupon, decidi que gostaria de passar mais tempo com minha família. Brincadeira — fui demitido hoje”. Mesmo com a saída de Mason, a situação do Groupon ainda é complicada: hoje, as ações variam na casa dos US$ 40, quando, em 2011, chegaram aos US$ 520. A avaliação de mercado da companhia é de US$ 1,26 bilhão. 

*Com informações de Thais Herédia

 

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