Alta no preço do combustível dos aviões ameaça retomada do setor aéreo

Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) alerta para aumento de 91,7% do preço do querosene de aviação e dos seguidos recordes do dólar

Mylena GuedesLucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) fez um alerta, nesta quinta-feira (14), de que a retomada do setor aéreo está ameaçada pelo aumento no preço do querosene de aviação.

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), houve um crescimento de 91,7% no valor do combustível, no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

Outra preocupação da aviação brasileira são os sucessivos recordes da cotação do dólar em relação ao real, já que mais da metade (51%) dos custos têm como base a moeda norte-americana.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, destaca que o Brasil é o único país do mundo que tem um tributo regional sobre o combustível dos aviões, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). As companhias estrangeiras, contudo, não pagam esse tributo para abastecer em território brasileiro.

“É por isso que uma viagem internacional muitas vezes é mais barata do que um voo doméstico, considerando-se distâncias similares. Um dos pilares da Associação é o alinhamento das regras brasileiras às melhores práticas internacionais, para que haja condições de igualdade na competição global que ampliem a eficiência das empresas aéreas brasileiras”, afirma Sanovicz.

Um levantamento recente da Associação aponta que, no primeiro semestre deste ano, o preço médio do querosene na bomba no Brasil foi 24,6% superior do que nos Estados Unidos.

Mesmo diante do cenário desafiador, em cinco meses consecutivos houve aumento da oferta de voos domésticos. Em entrevista à CNN, Eduardo Sanovicz afirmou que o recente desempenho positivo está diretamente ligado à vacinação contra o novo coronavírus. Além disso, os preços das passagens seguem abaixo do período pré-pandemia.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil mostram que a tarifa média aérea doméstica do segundo trimestre desde ano registrou uma queda de 19,98% comparada com o mesmo trimestre de 2019, quando ainda não havia a Covid-19. O preço médio da tarifa aérea foi de R$388,95, em relação aos R$486,10 de dois anos atrás.

A Abear ressalta que qualquer comparação de preços de bilhetes tendo como referência o ano de 2020 tem como base os menores valores históricos por causa do impacto da pandemia. Para se ter uma ideia, no ano passado, a tarifa aérea doméstica registrou o menor preço em 20 anos, ficando em R$376,29

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