Aumenta o consumo de descartáveis por causa da pandemia, diz associação

Aumentou em 30% a geração destes materiais no mês de junho, segundo dados inéditos da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais

Paula Forster

Da CNN, em São Paulo

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Aumentou em 30% a geração de materiais descartáveis no mês de junho, segundo dados inéditos da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), obtidos com exclusividade pela CNN. Em maio, esse aumento foi de 28% e, em abril, de 25%. O monitoramento é inédito e passou a ser feito no mês de abril pela associação. 

O número, segundo a entidade, é reflexo da pandemia do novo coronavírus, que fez a demanda por embalagens aumentar, devido ao maior número de pedidos de entregas em domicílio. Além disso, com a reabertura dos bares e restaurantes, autorizados a funcionar com medidas restritivas a partir do dia 06 de julho na cidade de São Paulo, alguns estabelecimentos também optaram pelo uso 100% de descartáveis, o que deve fazer este número crescer ainda mais. 

É o caso de uma padaria localizada na zona sul de São Paulo. Quem chega ao local não encontra mais pratos, talheres, xícaras e copos sem que não sejam os descartáveis, feitos de plástico e isopor. Tudo isso para diminuir a chance de contaminação do vírus causador da Covid-19. 

Antes, o material era usado somente no sistema delivery. Segundo o sócio do estabelecimento, Luis Pereira Ferreira, com a mudança, aumentou em quatro vezes o consumo de descartáveis no estabelecimento. “Eles têm um custo maior para a empresa, mas também temos algumas economias, como a reposição da louça que quebra e a lavagem”, comenta. 

Padaria em São Paulo aderiu a uso de itens descartáveis na reabertura
Padaria em São Paulo aderiu a uso de itens descartáveis na reabertura e recebeu elogios de clientes
Foto: CNN (29.jul.2020)

De acordo com Luis, havia um receio da rejeição por parte dos clientes, no entanto a casa recebeu bastante elogios. “Tem alguns clientes que chegam na loja, sentam, pedem um suco e dizem: dá para ser em copo descartável?”.    

A Abrelpe comenta que, apesar do aumento do consumo destes materiais, não dá para dizer que a reciclagem cresceu na mesma proporção. 

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Segundo Luciana Lopes, pesquisadora do Ipesa (Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais), a coleta não operou normalmente no começo da pandemia. “A coleta seletiva do lixo durante os primeiros meses da pandemia, na maior parte dos estados do Brasil, foi interrompida. Esse material estava indo diretamente para aterros sanitários. O que é muito pior, porque além de estar sendo descartado, está indo para o aterro, onde vai ficar por infinitos anos”, comenta.

Para Luciana, a pandemia é uma oportunidade para refletir sobre o tipo de produto que consumimos e o que podemos deixar de consumir dentro e fora de casa. “Estamos percebendo mais o nosso lixo, o nosso desperdício, a quantidade de coisas que poderíamos dar um novo destino”, explica. 

Descartáveis

De acordo com a pesquisadora Luciana Lopes, as alternativas para o banimento do plástico estão sendo adotadas por muitos estados e são embasadas pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), uma lei de 10 anos atrás, que prevê pensar primeiro na redução do consumo, depois no reuso e, por último, na reciclagem adequada. “No Rio de Janeiro, por exemplo, tem a proibição das sacolas plásticas e dos canudos”, explica. 

No dia 13 de janeiro, foi sancionada uma lei na cidade de São Paulo que proíbe o fornecimento de copos, pratos, talheres, entre outros descartáveis feitos de plástico em hotéis, restaurantes, bares, padarias, festas infantis, clubes noturnos e eventos culturais e esportivos.  

A medida determina que utensílios feitos de plástico devam ser substituídos por outros de material biodegradável ou reutilizável e entra em vigor no dia 01º de janeiro de 2021. 

Por causa da pandemia, o Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico de São Paulo (Sindiplast), que integra a Abiplast, entrou com uma liminar, em abril deste ano, para a liberação do uso destes descartáveis na cidade. 

Luciana explica que dentro dos protocolos sanitários propostos, não há nenhuma determinação que pede o uso dos descartáveis nos estabelecimentos comerciais. “Você fazendo a higiene correta da louça, não há nenhum problema”, comenta.

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