Balanço do 3º tri: dólar ajuda mineradoras e frigoríficos; varejo cai com inflação

Lucro líquido das 291 companhias com ações na B3 somou R$ 128,24 bilhões, volume 125% maior que 2020

Varejistas assumiram o posto de pior balanço financeiro do trimestre
Varejistas assumiram o posto de pior balanço financeiro do trimestre Foto: Markus Winkler/Unplash

Artur Nicocelida CNN

São Paulo

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A temporada de balanços financeiros do terceiro trimestre chegou ao fim com os dados da WDC, também conhecida como Livetech da Bahia. Segundo a XP, o grande destaque foi o setor de alimentos e bebidas.

De acordo com Fernando Ferreira, estrategista-chefe da corretora, e Jennie Li, estrategista de ações, o que favoreceu as companhias desse mercado foram o desempenho do consumo nos EUA e a alta do dólar.

A JBS encerrou o trimestre com lucro líquido de R$ 7,58 bilhões, avanço de 142,1% contra o ano passado.

A Marfrig Global Foods apresentou lucro líquido de R$ 1,67 bilhão no mesmo período, alta de 148,7% se comparado com 2020.

Quem também aproveitou da queda do dólar foi o setor de mineração e siderurgia

No terceiro trimestre, a moeda norte-americana saltou 9,51% – a mais alta apreciação em três meses, desde janeiro a março de 2020 (+29,44%).

A Vale, por exemplo, subiu quase 3% no dia seguinte à divulgação de seus resultados. A companhia registrou lucro líquido de US$ 3,88 bilhões entre julho e setembro, alta de 33,6% contra o mesmo período do ano passado.

Contudo, o lucro líquido ficou abaixo de estimativa da Refinitiv, que previa US$ 6,15 bilhões no período.

Já João Daronco, analista da Suno Research, afirma que os maiores destaques ficaram para a Boa Safra e a Kepler Weber.

A primeira companhia teve lucro líquido entre julho e setembro de R$ 88,7 milhões, 105,3% maior que o ano anterior, enquanto a segunda cresceu 78,7% no lucro líquido trimestral, saindo de R$ 23 milhões, em 2020, para R$ 41,4 milhões, em 2021.

De acordo com um levantamento da Economatica, o lucro líquido das 291 companhias com ações na B3 somou R$ 128,24 bilhões, representando um aumento de 125% em relação ao terceiro trimestre de 2020.

Maiores frustrações 

Na avaliação de especialistas, as varejistas assumiram o posto de pior balanço financeiro do trimestre, muito por conta da inflação, quanto pela retração do consumo e as incertezas políticas.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de outubro ficou em 1,25%, ou 10,65% em 12 meses.

Já o levantamento da Associação Brasileira de Supermercados mostrou que o consumo das famílias caiu 0,49% em setembro, mas em 2021 acumulou alta de 3,13%.

O lucro líquido da Magazine Luiza foi de R$ 143,5 milhões, 30,3% menor que o arrecadado no mesmo período de 2020. Enquanto a Via, dona das Casas Bahia, reportou prejuízo líquido contábil de R$ 638 milhões, revertendo o lucro líquido do ano anterior de R$ 590 milhões. Apesar dos dados negativos, 69% do setor reportou resultados acima ou em linha com o esperado pela XP.

A Americanas, por exemplo, teve lucro líquido de R$ 240,6 milhões no período, seis vezes maior que o do ano anterior, muito por conta da reversão do Imposto de Renda sobre a correção monetária do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na base de cálculo do PIS/Cofins.

“O quarto trimestre tende a ser mais positivo para o varejo, tendo em vista a sazonalidade do segmento, temos a Black Friday e o Natal, que movimentam o setor. Porém, devido à elevada inflação e as incertezas macroeconômicas que assolam o mercado doméstico, vejo este segmento ainda com dificuldades”, afirma Daronco.

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