BC dos EUA pode abrir temporada de redução de estímulos nesta 4ª, mas sem pressa

Fed divulga seu comunicado de política monetária ao fim de sua reunião de dois dias, às 15h

Prédio do Federal Resere em Washington, DC
Prédio do Federal Resere em Washington, DC 22/08/ 2018. REUTERS/Chris Wattie/File Photo

Reuters

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O Federal Reserve deve abrir caminho nesta quarta-feira para reduções em suas compras mensais de títulos neste ano e mostrar em projeções econômicas atualizadas se a inflação mais alta do que o esperado ou o ressurgimento da pandemia estão pesando nas perspectivas.

O Fed divulga seu comunicado de política monetária ao fim de sua reunião de dois dias, às 15h (horário de Brasília), e o chair Jerome Powell dará entrevista coletiva para comentar a decisão às 15h30.

Desde o final julho as autoridades têm lidado com um conjunto conflitante de desdobramentos — sinais de desaceleração no setor de serviços, surto da pandemia e fraco crescimento do emprego em agosto, tudo somado à inflação ainda forte — e há conflito entre elas sobre como reagir.

Em sua maioria, as autoridades têm dito que a recuperação econômica continuará e permitirá que o banco central prossiga com os planos de reduzir seus 120 bilhões de dólares em compras mensais de títulos até o final do ano, encerrando as aquisições totalmente ao longo do primeiro semestre de 2022.

Mas analistas externos e especuladores esperam que o Fed seja cauteloso ao falar sobre quando exatamente a redução pode começar, e que vincule isso a uma recuperação no crescimento do emprego após um relatório surpreendentemente fraco em agosto, com abertura de apenas 235 mil postos de trabalho.

O comunicado provavelmente reconhecerá que a economia deu mais um passo em direção ao “progresso substancial” que o Fed deseja ver no mercado de trabalho antes de reduzir suas compras de títulos, disseram os economistas Aneta Markowska e Thomas Simons, da Jefferies, em uma análise.

Embora os dados de emprego de agosto tenham sido fracos, os EUA criaram 1 milhão de vagas em julho e têm média de abertura de 716 mil postos de trabalho desde maio.

Ainda assim, dados de alta frequência e indicadores alternativos de emprego sugerem que os próximos dados também podem decepcionar, e os analistas da Jefferies disseram que a primeira redução real na compra de títulos provavelmente será “condicionada a um sólido ganho de emprego em setembro”.

O mercado de trabalho dos EUA ainda tem 5,3 milhões de vagas a menos do que seus patamares pré-pandemia.

Quando vier, a redução das compras de títulos marcará o início do que provavelmente será uma lenta mudança das medidas implementadas em março de 2020 para ajudar a economia durante a pandemia, em direção a uma política monetária mais normal, que eventualmente incluirá juros mais altos.

Powell — que deve descobrir antes da próxima reunião do Fed, em novembro, se o presidente Joe Biden deseja mantê-lo por um segundo mandato como chair do banco central — enfatizou em vários discursos importantes, incluindo na conferência do Fed de Jackson Hole, que o eventual início da redução das compras de títulos não tem relação com o debate sobre juros.

É um ponto que ele provavelmente reiterará em sua coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

As novas projeções econômicas e de juros das autoridades, no entanto, darão uma ideia de quanto demorará para que o Fed anuncie aumentos de juros após a redução de compras de títulos. Além disso, devem mostrar se a alta da inflação está fazendo com que as autoridades planejem o aumento inicial dos juros já para o próximo ano.

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