Bitcoin cai mais de 5% após novas críticas da China à mineração de criptomoedas

Autoridades chinesas prometeram intensificar ainda mais a repressão à pratica, associando-a a altas emissões de carbono

A mineração do bitcoin, principal criptomoeda, se concentrava na China até poucos meses
A mineração do bitcoin, principal criptomoeda, se concentrava na China até poucos meses Executium/Unsplash

Laura Heda CNN*

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As autoridades chinesas estão intensificando a repressão à mineração de criptomoedas, se referindo a ela como uma prática “extremamente prejudicial” que ameaça os esforços do país para reduzir as emissões de carbono. Com o comentário, o bitcoin chegou a ficar abaixo de US$ 60 mil pela primeira vez desde 1 de novembro.

O porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Meng Wei, atacou a mineração de bitcoin durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (16) em Pequim. Ela disse que a atividade “consome muita energia” e “produz muitas emissões de carbono”.

Meng disse que o NDRC – o maior planejador econômico do país – lançará uma repressão “em grande escala” à mineração de criptomoedas, concentrando-se na mineração comercial e no papel das empresas estatais no setor. Ela também disse que a produção e o comércio de criptografia produzem “riscos proeminentes” e classificou o setor como “cego e desordenado”.

Como parte de seu novo impulso, o NDRC afirmou que aumentaria os preços da eletricidade para qualquer instituição que abusasse de seu acesso à energia subsidiada para participar da mineração de criptografia. As autoridades tradicionalmente oferecem às escolas, centros comunitários ou outras instituições de bem-estar público preços mais baixos para a eletricidade.

 

O preço do bitcoin recuou após os comentários, caindo mais de 5%, para US$ 60.835 por volta das 12h40, seu menor valor em mais de uma semana. Embora o motivo do mergulho não tenha sido imediatamente claro, ele coincidiu com a coletiva de imprensa do NDRC. O Ether, o segundo maior token digital depois do bitcoin, caiu mais de 7% na terça-feira, para US$ 4.293 no mesmo horário, o pior nível em duas semanas.

Esta não é a primeira vez neste ano que Pequim se compromete a reprimir a mineração de criptomoedas.

O país intensificou seus esforços para restringir a atividade desde maio, quando proibiu o comércio de criptomoedas e disse que examinaria as operações de mineração no país.

A China era responsável por mais de 75% da mineração de bitcoin em todo o mundo, de acordo com uma pesquisa publicada pela revista científica Nature Communications, em abril. Entretanto, o país perdeu a posição para os Estados Unidos.

Apesar da queda nesta semana, o bitcoin ainda está tendo um ano excepcional. A criptomoeda valorizou cerca de 110% em 2021. Na semana passada, atingiu um valor recorde de US$ 69.000.

A China está mirando as criptomoedas por alguns motivos. As autoridades veem os ativos como um grande risco financeiro e como uma forma de as pessoas escaparem dos rígidos controles nacionais sobre o capital, e desejam controlar tais práticas.

As restrições a moedas descentralizadas como o bitcoin também surgem ao mesmo tempo em que o governo lança uma versão digital do yuan, o que permitiria ao banco central da China exercer mais controle sobre o fluxo e a troca de dinheiro.

Pequim também está tentando cumprir suas metas climáticas de se tornar neutra em emissões de carbono até 2060, e a de mineração de criptomoedas pode ameaçar isso. A prática consome muita energia, pois exige que as máquinas resolvam séries complexas de algoritmos para verificar as transações. A China também está lutando contra uma grave escassez de energia, que afetou milhões de famílias e fábricas com o racionamento de energia.

O novo esforço mais recente para atingir a mineração será “de grande importância” para as metas da China de reduzir as emissões de carbono e alcançar a neutralidade de carbono, disse Meng na entrevista coletiva de terça-feira.

A China deve “evitar estritamente [a mineração de criptomoedas] ressurgir das cinzas mortas”, disse Meng.

*(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original, em inglês)

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