Bolsas têm mais um dia de forte queda com crise mundial de energia

Morning Call, com Priscila Yazbek, destaca o de mais importante na economia mundial e nacional nesta quarta-feira (6)

Priscila Yazbekdo CNN Brasil Business

Em São Paulo

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A quarta-feira (6) começa com os mercados derretendo, já que as bolsas mundiais registram mais um dia de forte queda com a crise mundial de energia.

Destaque para os índices europeus, que caíam mais de 2% por volta das 9h30. Os preços do gás na Europa já acumulam altas de 400% no ano e, com isso, França e Espanha pediram uma ação da União Europeia para resolver a situação.

Agravando o cenário, as vendas do varejo na zona do euro ficaram abaixo do esperado em agosto. Analistas projetam que os próximos dados podem vir ainda mais fracos, com o inverno chegando e pressionando ainda mais os custos de energia.

Nos Estados Unidos, os futuros também caem, com a alta dos juros das treasuries, os títulos do Tesouro americano. Na terça-feira (5), saiu mais um dado de inflação, PMI de serviços, mostrando aceleração.

Com inflação subindo, a perspectiva de elevação dos juros aumenta e as taxas das treasuries acompanham. São os títulos mais seguros do mundo, então sempre que as taxas sobem, atraem recursos do mundo todo.

Com esse fluxo de dinheiro para os EUA, o dólar se fortalece frente a outras moedas, enquanto a bolsa perde atratividade frente à renda fixa.

Brasil

No cenário nacional, a Nova Futura destaca que, enquanto a crise energética global não for endereçada, os temores de estagflação seguirão penalizando os ativos de risco e países emergentes como o Brasil.

O dólar fechou ontem na maior cotação em seis meses, aos R$ 5,48. A moeda subiu no mundo todo, mas as tensões fiscais e ruídos políticos de sempre e dados fracos de indústria intensificaram a alta.

Hoje, o dia segue na mesma toada. O IBGE acabou de divulgar os dados do comércio de agosto, que vieram bem ruins, com queda de 3,1% ante expectativa de alta de 0,4% do mercado. Junto com a indústria de ontem, dado deve levar a onda de revisões pro PIB, que já vinha caindo.

Na política, incertezas sobre gastos públicos continuam no radar. O relator da reforma do IR disse que o parecer da proposta vai sair no seu tempo, acabando com planos do governo de aprovar a reforma rápido para bancar o Auxílio Brasil.

Mas outra proposta avançou. O senador Roberto Rocha apresentou ontem o parecer da PEC 110, da Reforma Tributária. O texto cria um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dividido em duas partes: um federal, a CBS, que unifica PIS e Cofins, e o IVA dos estados IBS, que unificaria ICMS e o ISS. A PEC ainda precisa passar pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pelo plenário do Senado e, depois, pela Câmara.

Ontem, Arthur Lira (PP-AL) disse que deputados vão analisar na semana que vem a proposta do ICMS dos combustíveis. O assunto virou prioridade e trava outros temas importantes, como precatórios.

O Senado aprovou ontem o Marco das Ferrovias, que facilita concessões de ferrovias à iniciativa privada e, segundo o governo, pode destravar R$ 80 bilhões em investimentos.

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