Brasil não terá falta de trigo, mas preço alto será problema, diz ministra

Em debate no Senado, Tereza Cristina afirmou que o país também precisará responder por parte da produção que faltará no mundo com a guerra

Rússia e Ucrânia são grandes exportadoras de trigo, e guerra fez preço da commodity disparar
Rússia e Ucrânia são grandes exportadoras de trigo, e guerra fez preço da commodity disparar Valentyn Ogirenko/Reuters

João Pedro Malardo CNN Brasil BusinessBrenda SilvaNicole Dinizda CNN*

em São Paulo e Brasília

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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quinta-feira (24) em um debate no Senado Federal que o Brasil não deve enfrentar uma falta de trigo devido à guerra entre Ucrânia e Rússia, mas que a disparada do preço dessa commodity será um problema.

Em sua fala, a ministra avaliou que o Brasil não é autossuficiente na produção de trigo, e por isso depende da importação do produto. No mercado mundial, a Rússia e a Ucrânia respondem por 28,5% do total de exportações, mas ela destacou que o Brasil compra principalmente da Argentina, o que deve evitar um problema de abastecimento.

“Nosso problema não é esse. O nosso problema hoje é o preço, porque os preços são globalizados, das commodities, então o preço já subiu de maneira exponencial no nosso mercado do trigo. Os efeitos serão bastante significativos se houver problema na produção da Rússia e da Ucrânia”, afirmou.

Segundo ela, o Ministério da Agricultura já havia elaborado um programa para aumentar a produção de trigo no país e chegar à autossuficiência, mas isso deve demorar “alguns anos”.

“Esse programa caminha muito bem, a Embrapa produz hoje variedade muito boas na qualidade do trigo e na produtividade, mas nós precisamos de algum tempo. Mas vamos continuar precisando dos famosos fertilizantes também para esta produção”.

Ela destacou que os estoques de trigo no país estão “muito baixos”. “Se nós tivermos que importar tudo, nós teremos que importar 6,5 milhões de toneladas de trigo. Esse seria, dos alimentos, o produto que nós temos uma maior preocupação com preços e com as importações que precisam seguir o seu curso através do nosso país vizinho, a Argentina”.

Além do trigo, a ministra ainda indicou preocupação em relação ao fornecimento de fertilizantes, um produto bastante produzido pela Rússia e Belarus, também envolvida no conflito.

Nós temos uma deficiência no Brasil, que são os fertilizantes. O Brasil é o país que mais planta em terras pobres, por isso a nossa necessidade é cada vez maior quando aumentamos a produção”.

Ela destacou que o Brasil “vai ter que responder por uma parte da produção que vai faltar no mundo” devido à guerra, o que deve aumentar também a demanda por fertilizantes, e pressionar o preço desses produtos. Mesmo assim, Tereza Cristina reforçou que “até o momento, o Brasil tem recebido esses fertilizantes”.

“Nós temos acompanhado e monitorado através do Ministério da Agricultura todos os dias os navios que saem e que chegam ao Brasil com esses fertilizantes porque é fundamental que nós recebamos todos esses produtos, porque a nossa safra começa daqui há 4 meses. Nós estaremos com a nossa janela de plantio acontecendo”, afirma.

Nesse sentido, ela disse que o governo federal tem realizado uma “diplomacia dos fertilizantes”, tentando manter os canais de fornecimento abertos com países como Rússia, Belarus e Irã, apesar deles serem alvos de sanções que dificultam o comércio.

A ministra afirmou que as sanções contra Rússia e Belarus “nos deixa muito apreensivos”, mas que os volumes importados de fertilizantes entre janeiro e abril não foram afetados, o que é uma “boa notícia para a agricultura brasileira”.

Durante o debate, Tereza Cristina destacou o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, uma “ação estratégica” lançada em fevereiro deste ano para reduzir a dependência de importação que, segundo ela “ano a ano vem aumentando” no Brasil.

“Não estamos apenas reagindo à crise, estamos tratando de um problema estrutural do Brasil de longo prazo, e ainda precisaremos importar fertilizantes em 2050. Essa é uma das conclusões do plano nacional, data que definimos como meta final para a conclusão dele”.

A ministra reforçou que “não estamos visando a autossuficiência do Brasil, mas o aumento da produção doméstica de fertilizantes, que deve ser considerada como uma questão de segurança nacional, porque segurança alimentar é parte da segurança nacional de um país”.

Ela afirmou, ainda, que “hoje, o que é que o Brasil precisa fazer nesse momento? Manter o comércio fluindo. Países não podem restringir exportações, isso aumentará a crise de abastecimento de alimentos e preços no mundo. Temos que responder plantando uma boa safra”.

*Sob supervisão

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