Brasileiro economiza mais que o esperado e terá bônus de R$ 2,4 bi na conta de luz

Estimativa é do Ministério de Minas e Energia; bônus será custeado pelos próprios consumidores com valor incluído como “custo” do sistema elétrico na revisão tarifária

Torres de alta tensão de eletricidade vista durante pôr do sol em Brasília
Torres de alta tensão de eletricidade vista durante pôr do sol em Brasília Reuters

Fernando Nakagawado CNN Brasil Business

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O programa de redução voluntária do consumo de energia deve gerar um bônus de R$ 2,4 bilhões nas contas de eletricidade do mês de janeiro. A estimativa foi feita pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

O valor é um prêmio oferecido aos clientes que, entre os meses de setembro e dezembro de 2021, diminuíram em mais de 10% o consumo elétrico. O bônus, porém, será custeado pelos próprios consumidores, já que esse valor será incluído como “custo” do sistema elétrico na revisão tarifária.

Os números apresentados pelo Ministério de Minas e Energia indicam que a economia superou bastante a projeção do governo. Quando o programa foi anunciado, técnicos trabalhavam com a perspectiva de economia correspondente a 914 MW médios e o número apresentado nesta noite de quinta-feira indica economia de 1.917 MW médios por mês.

O MME avalia que o programa foi “exitoso” e a economia acumulada corresponde ao consumo anual do estado da Paraíba ou do Rio Grande do Norte.

Também foi superado o valor financeiro do bônus. Em agosto, técnicos mencionavam a perspectiva de que a conta poderia alcançar cerca de R$ 1 bilhão no acumulado dos três meses – e o valor divulgado indica R$ 2,4 bilhões.

O programa de incentivo à redução voluntária foi anunciado no fim de agosto – quando o Brasil sofria duramente com a pior seca em mais de 90 anos e os reservatórios das hidrelétricas operavam em níveis historicamente baixos.

O programa valia apenas entre setembro e dezembro e previa bônus de R$ 50 para cada 100 kWh economizados na comparação com 2020. O bônus só seria dado aos consumidores que economizassem até 20%.

O desconto de R$ 2,4 bilhões aplicado nas contas de janeiro será pago posteriormente pelos próprios consumidores. Isso acontece porque o programa prevê que o bônus financeiro será incluído como “Encargos de Serviço do Sistema” na revisão tarifária da conta de energia. Assim, as empresas do setor elétrico vão receber esse valor de volta que será diluído na conta dos consumidores.

Esse mecanismo foi criticado por especialistas quando o programa foi anunciado, porque será o próprio sistema que arcará com os custos.

O Ministério de Minas e Energia rebate a crítica e diz que esse custo do bônus é inferior ao valor pago para o acionamento das usinas térmicas que puderam ser desligadas no período. Dessa forma, diz o governo, o programa seria benéfico a todo o sistema elétrico.

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