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    Brasileiros com “nome sujo” devem R$ 4 mil em média, aponta Serasa

    Inadimplência cresce em março e já atinge 65,69 milhões de pessoas no país

    Pauline Almeidada CNN

    no Rio de Janeiro

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    Pouco mais de R$ 4 mil. É isso que deve em média cada um dos brasileiros com CPF negativado, segundo dados levantados pela Serasa Experian no mês de março e divulgados nesta quarta-feira (20).

    O valor teve um leve aumento de 0,1% em relação a fevereiro e de pouco mais de 3% no comparativo com abril de 2020, pico da inadimplência durante a pandemia de Covid-19.

    O levantamento de março deste ano mostra que equilibrar o orçamento doméstico está tão difícil quanto no início da disseminação do coronavírus, quando o país ficou praticamente parado por conta da necessidade de isolamento social.

    Pelo segundo mês seguido, o número de inadimplentes passou dos 65 milhões, índice só ultrapassado em abril e maio de 2020. São 65,69 milhões com o ‘nome sujo’, um aumento de 0,81% em relação a fevereiro deste ano.

    Já a soma das dívidas chegou a R$ 265,8 bilhões, R$ 7,5 bilhões a mais do que o registrado no pico da pandemia e uma alta de 0,91% em relação ao mês anterior.

    “Os maiores responsáveis por essas dívidas são os empréstimos e os cartões de crédito, responsáveis por 28,17%, seguidos pelas contas básicas como de água e luz, com 23,21%. Em terceiro lugar vêm as lojas de departamento, de roupas, o varejo em geral, com 12,62%”, explica o gerente da Serasa Experian, Thiago Ramos.

    As mulheres representam 50,2% dos endividados e os homens, 49,8%. Em relação à faixa etária, a mais presente se concentra entre os 26 e 40 anos (35,2%), seguida pela entre 41 e 60 anos (49,8%).

    Ramos relata que pesquisas da Serasa indicam a percepção generalizada dos brasileiros sobre o aumento dos preços, especialmente dos itens de mercado e farmácia. Diante da alta do número de inadimplentes e também do tamanho da dívida, o cenário indica a dificuldade das pessoas de manterem os compromissos financeiros em dia.

    “Você tem um cenário externo de conflito [na Ucrânia]. E interno com aumento do número de trabalhadores na informalidade, um recorde, são mais de 138 milhões. A renda média está no menor patamar desde 2012, em torno de R$ 2,4 mil. O desemprego, apesar de uma leve queda percentual, ainda não conseguiu quebrar a barreira dos 12 milhões de desempregados”, ressaltou Ramos sobre o momento econômico do país.

    Dinheiro; reais
    / Foto: Pixabay

    Como limpar o nome?

    O economista Ricardo Macedo defende que o saque extraordinário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, de até R$ 1 mil por trabalhador, cujos primeiros pagamentos começaram nesta quarta-feira, é uma das estratégias para sanar as pendências do CPF.

    “Você teve uma certa facilidade de crédito durante a pandemia. O que aconteceu recentemente é uma recuperação de postos de trabalho, mas com rendimento muito menor. Soma-se a isso a inflação, o que acontece? Você não consegue adequar o orçamento. O ideal é quitar a dívida, começar a economizar para readequar o orçamento”, colocou.

    Com a Selic, taxa básica de juros, a 11,75%, o economista recomenda que os financiamentos devem ser evitados. A prioridade deve ser renegociar a dívida e fazer mudanças no orçamento, com comprar produtos mais baratos no mercado.

    Vale lembrar que ao dividir uma pendência financeira, por exemplo, a pessoa tem o nome limpo assim que paga a primeira parcela. No caso da Serasa, a negociação pode ser realizada pelo site ou pelo aplicativo da empresa e ainda presencialmente nos postos dos Correios.

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